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terça-feira, 15 de dezembro de 2015

"Órfãos do Eldorado" na Cinemateca Brasileira


Ontem eu e a Dani fomos para a Cinemateca Brasileira (já tinha postado sobre esse lugar aqui) ver o filme "Órfãos do Eldorado". Também chamei o Fábio, que me apresentou a Cinemateca e gosta muito do lugar, mas ele acabou não indo.


"Órfãos do Eldorado" estava em cartaz em São Paulo não faz muito tempo. Lembro de ter visto o cartaz no Conjunto Nacional, porque o filme estava sendo exibido no Cine Arte, ex-Cine Livraria Cultura - o Fábio disse que esse cinema foi comprado pelo ex-jogador de futebol Raí; achei curioso, mas é porque parece que ele gosta de cinema também -, mas confesso que não me chamou a atenção.



Apesar de não ter me empolgado com o filme semanas atrás, achei boa a oportunidade de ver o filme grátis ontem e depois participar do bate-papo com o diretor, Guilherme Coelho, porque gosto de ouvir o que os diretores têm a dizer sobre suas próprias obras e às vezes as pessoas fazem perguntas interessantes. No fim das contas, não gostei muito do filme e nem tive vontade de ficar para o bate-papo, a Dani também não, então fomos embora.

"Órfãos do Eldorado", baseado no livro homônimo do Milton Hatoum (se soubesse disso antes, certamente teria ficado interessada em ver, gosto da literatura dele), é sobre Arminto Cordovil, que depois de muitos anos retorna a uma cidadezinha do Pará, a pedido de Florita, mulher do pai, de quem ele fora amante, pois o pai está muito doente. 

Em flashback, ficamos sabendo um pouco mais sobre Arminto: desde criança, ele e o pai não se entendiam; ele e Florita (que servia de babá, pois a mãe parece ter morrido quando ele era bem pequeno) nutriam um carinho muito grande um pelo outro; a infância dele era permeada pelas histórias que Florita lhe contava - talvez essas histórias sejam lendas amazônicas indígenas, pois Florita é de origem indígena; a lembrança de uma mulher entrando nua no rio para se matar.

Depois que o pai morre (ele tem um ataque fulminante ao se deparar com o filho), Arminto se desentende com Florita, manda-a embora da casa do pai e vai a uma casa de shows, onde se encanta por uma cantora. Ele a reconhece, é a mulher que viu entrando no rio e depois saindo (na verdade, não sei se isso é realidade ou se ele sonhou/imaginou). Um tempo depois, essa mulher aparece novamente quando ele está tomando sol à beira do rio, eles transam e ele pira. Depois desse episódio, ele abre mão da "realidade", dos bens deixados pelo pai e de si mesmo para procurar a tal cantora. Passa oito anos em uma cabana muito pobre pensando apenas em encontrar a tal cantora. Nisso o filme me soou meio "bobo" (como alguém se deixa envolver por alguém dessa forma, abrindo mão da vida e de si mesmo por alguém com quem ficou só uma vez?, mas deve ser loucura mesmo).

Nessa época em que Arminto fica isolado na cabana, há uma cena curiosa. Quando ele está no rio, aparece um pescador em um barco, que lhe dá um peixe para a refeição do dia. Na hora pensei: "Parece o Milton Hatoum!", mas não tinha certeza. Aliás, só soube que o filme era baseado no livro do Hatoum quando os créditos começaram a subir. Deve ser incrível contracenar/ estar com um personagem que você criou... quantos autores tiveram ou terão a mesma oportunidade? Na cena em questão, foi como se o autor estivesse "cuidando" de seu personagem, dando um olhar de ternura para sua criação.

Não encontrei uma foto dessa cena, mas encontrei esta foto dos bastidores, no site da revista Caras, em que aparecem Arminto (Daniel de Oliveira), o diretor Guilherme Coelho e Milton Hatoum:



Apesar de o filme ter despertado interesse no começo, de os atores serem ótimos (Florita é interpretada por Dira Paes, cujo trabalho eu admiro) e de a fotografia ser lindíssima (quero conhecer o Pará um dia!), depois a história foi enfraquecendo. O desfecho é surpreendente, mas não me causou o impacto que, imagino, o livro causaria.

Fiquei interessada em ler o livro para tentar descobrir o que se perdeu nessa adaptação para o cinema. [Tenho consciência de que literatura é um tipo de arte e cinema, outro, mas muita coisa acaba se perdendo na adaptação, pois há elementos literários (quase) impossíveis de ser transpostos para a tela.]


Trailer do filme:



Outras fotos que tirei da Cinemateca ontem:

Área externa 

 Cafeteria fechada após o filme

 Mural da cafeteria/ recepção


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