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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Contos do divã, de Sylvia Loeb



Título: Contos do divã
Autora: Sylvia Loeb
Nº de páginas: 152
Editora: Ateliê Editorial
Ano de publicação: 2007
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Terminei de ler Contos do divã hoje e gostei MUITO.

O livro, escrito pela psicanalista Sylvia Loeb, contém contos que se passam em um consultório de psicanálise e revelam faces da psicanalista e seus pacientes.
 
Como nunca fiz análise nem terapia, tenho muita curiosidade de saber o que se passa entre as quatro paredes do consultório, entre o profissional e quem procura (ou é obrigado a procurar) ajuda psicológica. Amigos que já passaram por terapia me contam como é, mas o fascínio persiste. (Em tempo, também gostei muito do livro Sessão de Terapia, do qual falei aqui, baseado na série homônima.) 

Na primeira parte do livro, acompanhamos recortes de sessões da psicanalista chamada "Ana" (o nome é o mesmo em todos os contos - um alter-ego da autora?) e seus pacientes, que, embora sejam personagens diferentes, são denominados "João" ou "Maria". Os contos são escritos de forma precisa e envolvente, sem palavras desnecessárias, nem termos técnicos. É muito interessante ver o que se passa na mente da psicanalista durante as sessões (às vezes, o que pensa ou sente em relação à pessoa no divã, outras vezes, pensamentos sobre o que possivelmente está acontecendo com o paciente mas que não pode ser revelado ainda). Em todos os contos os pacientes desistem das sessões, provavelmente por medo de se confrontarem com suas "sombras" e encontrarem uma saída para suas encruzilhadas ou talvez por sentirem que as sessões são inúteis ou que a psicanalista já fez o suficiente. 

Pelo que entendi, algumas pessoas não conseguem se libertar de repetições (isso deve ter um termo específico dentro da psicologia) e dar um rumo diferente à sua vida/ não querem resolver de verdade o que as incomoda ou deprime (mulheres que sempre arranjam namorados agressivos ou caras que só gostam de mulheres submissas, por exemplo; depois essas escolhas repetitivas acabam sendo um problema que os angustia e eles não conseguem resolver; ao mesmo tempo, talvez, abrir mão da repetição significaria ter de se confrontar com um "eu" desconhecido e mudar atitudes, ter um posicionamento mais consciente e ativo diante da própria vida, o que nem sempre é fácil e indolor...). 


Na segunda parte, há outros contos curtos, não menos interessantes, que se passam fora do consultório e que também revelam pulsões humanas.

Recomendo a leitura para quem gosta de histórias envolvendo psicanalistas/ psicólogos/ terapeutas e seus pacientes!

Leria com prazer Contos do divã 2!


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