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domingo, 24 de janeiro de 2016

Três formas de amar (Threesome)




Essa semana revi pela enésima vez o filme "Três formas de amar" (Threesome). É um filme de 1994, dirigido por Andrew Fleming (pela filmografia desse diretor no IMDb, só vi esse filme dele; o restante não me parece interessante; e vi que ele dirigiu várias séries para TV também - que, em geral, não me atraem).

Bom, vi esse filme pela primeira vez em uma fita VHS alugada de uma locadora que ainda existe, perto da casa dos meus pais, quando era adolescente, e gostei logo de cara. Depois vi algumas vezes na TV e uns anos depois cheguei a comprar a VHS na fase em que as locadoras estavam trocando o acervo de fitas VHS por DVDs; um dia achei o CD com a trilha sonora e ficava ouvindo direto.

Não sei exatamente o que nos faz amar alguns filmes ou livros, mas esse filme me marcou bastante. Para mim, ele tem a medida certa de humor, drama e romance, se aproxima do espectador por ser "realista" (spoiler: a história não tem exatamente um happy end) e a forma como é narrado lembra bastante o formato do que considero um bom conto.

Na cena inicial, vemos um rapaz caminhando por um campus universitário com uma mala e uma pasta, indicando que ele provavelmente é novo no lugar. Trata-se de Eddy (Josh Charles), que narrará a história em primeira pessoa, sob o ponto de vista dele. 

Ao chegar ao dormitório universitário, assina um papel e segue para o quarto, onde já há um outro estudante, Stuart (Stephen Baldwin), que o recebe mal no começo, mas depois os dois se tornam grandes amigos.

No dormitório de Eddy e Stuart ainda há um quarto vago, que logo é ocupado por Alex (Lara Flynn Boyle). Apesar de o nome ser masculino, ela é claramente uma mulher. Os dormitórios, na verdade, não são mistos, e ela tenta mudar de dormitório, mas não consegue, pois não há vagas. Ela então aceita ficar lá com os dois rapazes.

Não fica claro, mas Eddy parece estudar Literatura, é tímido, meio reservado e sensível. Alex estuda Artes Cênicas, é "explosiva", sensual, meio louca às vezes. Stuart é bonito, só pensa em mulheres, sexo e bebidas, estuda Administração ou Economia (não lembro agora) e é Eddy quem escreve os trabalhos para ele em troca de comida.

Logo Alex e Eddy começam a se entender, pois os dois gostam de artes; Stuart fica de fora, pois não faz o tipo intelectual. Apesar de Alex mostrar um interesse claro em Eddy, ele não corresponde, deixando o caminho livre para Stuart. No entanto, Alex não mostra muito interesse em Stuart. E Eddy descobre que sente atração por Stuart, que, por sua vez, não corresponde ao interesse de Eddy.

Ao longo do tempo em que os três dividem o dormitório, que não fica bem claro, mas que parece durar um semestre, o envolvimento entre os três, de formas diferentes, é inevitável, o que culmina num episódio trágico e faz com que amadureçam de forma inesperada. Afinal de contas, é isso mesmo que acontece durante a faculdade, não é? Ou pelo menos foi o que senti. Claro que não tive experiências tão... drásticas (?) e emocionantes (?), mas, olhando para trás, ter ido estudar longe dos meus pais e de tudo que eu conhecia até os 17 anos, sem ninguém para me ajudar a fazer as coisas, foi uma das melhores escolhas que já fiz na vida. Convivi com pessoas totalmente diferentes de mim, fiz vários e incríveis amigos (com os quais tenho contato até hoje), tive minhas experiências e pude formar opiniões próprias sobre tudo. Ao longo de quatro anos, amadureci e fui me preparando para a vida adulta. Foi uma das melhores épocas da minha vida.

Talvez eu tenha gostado tanto de "Três formas de amar" porque, de certa forma, o crescimento dos personagens, as situações intensas, divertidas, trágicas e tudo mais pelas quais eles passaram era algo que eu também queria desde adolescente, mesmo não tendo consciência disso ainda.




Trailer:


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