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domingo, 10 de abril de 2016

24 horas na cidade


Sexta, depois do trabalho, fui direto para a rodoviária do Tietê. Já tinha comprado passagem para São José dos Campos, para o ônibus das 20h, porque na sexta as filas são gigantescas. 

Foi um transtorno chegar na rodoviária porque tinha muito trânsito na rodovia Castelo Branco e, para ficar ainda melhor, um trem falhou na estação Ana Rosa e os trens estavam "circulando com velocidade reduzida e maior tempo de parada [nas estações]". Cheguei 20h02 no portão 49 da rodoviária e o cara estava gritando algo do tipo: "SÃO JOSÉ DOS CAMPOS, 20H!!" - deu tempo de embarcar. Ufa!

Rodoviária do Tietê na quinta, 07/04/16, quando fui comprar a passagem para São José

Em geral, vou para São José no sábado de manhã, mas como sexta era aniversário do meu irmão, minha mãe ligou e falou para eu ir nesse dia. No fim, meu irmão ia viajar logo cedo no sábado, para um evento do jiu-jitsu, e nem teve bolo nem nada.  

Feira do Livro na rodoviária do Tietê

Na quinta, depois de comprar as passagens de ida e volta, passei pela "Feira do Livro", onde vendem livros por R$ 5 e R$ 10. Garimpando, às vezes dá para achar uns livros interessantes. Dessa vez, fiquei com Através do vidro - Amor e desejo, da Heloisa Seixas, e Teresa, que esperava as uvas, de uma autora gaúcha da qual nunca tinha ouvido falar, Monique Revillion. Estou comprando e lendo mais livros de contos, porque estou tentando escrever contos melhores; aí fico pensando que se eu ler coisas boas, as chances de êxito são maiores (será?).

Cheguei lá pelas 21h20, meus pais, como sempre foram me buscar perto do shopping Vale Sul, onde há um ponto de ônibus, conversamos um pouco, tomei a canja da minha mãe (adoro isso e quase sempre que vou pra lá ela faz) e comi umas empadas que ela fez, usando a receita de uma tia que cozinha bem, capotei e acordei só no dia seguinte, às 7h.

Parque no Jardim Satélite

No sábado, acordei, comi umas fatias de um melão sem gosto de melão que estava na geladeira e fui caminhar pelo bairro. É surpreendente: sempre que vou para São José, as lojas estão diferentes; várias fecham e abrem em questão de meses. Caminhei um pouco no parque da foto acima (não sei se ele tem um nome), depois fui caminhar na rua (prefiro). Ao todo, deu 1h30 de caminhada e depois tomei café com meus pais. Nesse dia, juntando café da manhã, almoço e jantar, extrapolei o número de calorias diárias que estipulei... mas tentei não ficar muito neurótica com isso, afinal, não como comida da mamãe todo dia.

Depois do banho, quis ir para o sebo Estação Cultural SJC, que fica no centro da cidade, para comprar um livro específico, apesar do sol horrível e de se sábado (no sábado o centro é meio infernal, as pessoas vão fazer compras no comércio popular da região).


 Calçadão, no centro de São José, com várias lojas de comércio popular

O livro que eu queria era esse:


É um livro de contos autopublicado em 2000, de uma autora de São José com quem fiz uma oficina literária em 1996, a Itamara Moura. Acho que minha tia tinha comprado o livro na época e me emprestou. Do livro inteiro, guardei na memória duas histórias e queria relê-las: uma sobre uma criança que era apaixonada por uma enfermeira que a levava para ver os sapos na clínica onde ela (a criança) fazia tratamento contra asma e a outra sobre uma menina que achava que a amiga ia morrer porque começou a sangrar (na verdade, era sua primeira menstruação), aí ela faz uma promessa de que vai ser uma boa pessoa, para que a amiga não morra.

A Itamara Moura, um tempo depois da oficina literária, fundou o Catar Feijão, um grupo para estudos e discussões sobre literatura. Participei de alguns desses encontros com a minha tia algumas vezes, provavelmente quando estava de férias da faculdade, mas acabei desanimando porque algumas pessoas que frequentavam esses encontros (qualquer um podia ir) não tinham muita noção de literatura, nem muita noção de nada e alguns comentários totalmente fora do contexto me irritavam. De qualquer forma, achava ótimo pessoas se engajarem em atividades culturais na cidade. Encontrei uma entrevista com a autora aqui.

Acabei comprando mais dois livros no sebo: Contos brasileiros contemporâneos, organizado por Julieta de Godoy Ladeira, e Se eu fechar os olhos agora, do Edney Silvestre (por falta de atenção, há alguns meses, comprei o audiolivro desse livro (!), narrado pelo Antônio Fagundes, achando que era o livro físico, e comecei a ouvir faz um tempo... ouvi só alguns capítulos, é uma experiência diferente... pretendo ouvir tudo e depois ler o livro para ver se consigo detectar as diferenças, ver o que consigo reter apenas ouvindo; gosto de experiências sensoriais, então está sendo legal).

Ainda sobre livros, como presente de aniversário do ano passado, minha tia me deu Lições de literatura, do Nabokov, em que ele comenta várias obras clássicas. Não conhecia o livro, mas sei que vou adorar! :) Está dentro do que estou buscando no momento: conseguir analisar obras de forma mais aprofundada.

Ia para o Parque da Cidade tirar umas fotos - esse parque é o lugar de que mais gosto em São José, e faz muito tempo que não vou lá -, mas o sol estava muito forte, peguei um ônibus de volta e, quando cheguei, o almoço já estava quase pronto. No cardápio, truta com camarões, salada de brócolis, maionese e arroz branco. E pudim. 

Lig Vídeo, Jardim Satélite

A cena mais triste foi a imagem acima. A Lig Vídeo, a videolocadora onde eu alugava VHS quando era criança e depois DVDs, fechou as portas no começo desse mês. TRISTE. Em época de Torrent e Netflix, as videolocadoras estão todas fechando. Mês passado foi a vez da maior/ melhor locadora de São Paulo, a 2001 vídeo, fechar também. Novos tempos, novos hábitos.

No fim do sábado, minha tia foi na casa dos meus pais fazer visita, depois fui visitar meus avós, e aí já era hora de pegar o ônibus de volta. Minha mãe colocou umas comidas em potes e os potes dentro de uma sacola. Meu pai me levou de carro para a rodoviária e vim embora para poder descansar o domingo.

Fiquei 24 horas na cidade. E ainda não sei quando volto. 

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