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sexta-feira, 29 de abril de 2016

A três vamos lá, de Jérôme Bonnell

Fachada do cinema Reserva Cultural, na Av. Paulista


Quarta-feira passada, eu e a Yuri fomos ver o filme francês  A três vamos lá (À trois on y va), dirigido por Jerôme Bonnell (cujo trabalho eu não  conhecia), no Reserva Cultural. 

Eu tinha visto o trailer desse filme há algum tempo e queria muito ver, porque o enredo da história é bem parecido com uma história em que eu já tinha pensado (e que eventualmente vou tentar desenvolver), aí fiquei curiosa em saber como o diretor/ roteirista resolveu o fim, se é igual ao fim que eu imaginei para a minha história. Além disso, a atriz Anaïs Demoustier está no elenco - ela também atuou em Uma nova amiga, que vi ano passado e adorei - esse filme acabou de sair em DVD e já comprei para ver de novo.

Charlotte e Micha, um casal de namorados, compram uma casa em Lille (vi que fica a uma hora de Paris via TGV, trem de alta velocidade) e se mudam para lá, onde conhecem Mélodie. Algum tempo depois, Charlotte começa a ter um caso com Mélodie. Mélodie se apaixona por Charlotte, mas tem noção de que Charlotte nunca deixaria Micha para ficar com ela e isso causa lhe um certo sofrimento.

Para complicar a situação, Micha, apesar de ser apaixonado pela namorada, meio que se declara para Mélodie, num dia em que dá carona para ela. Acho que nessa hora Mélodie se dá conta de que também gosta de Micha, mas fica com receio de se envolver, pois já estava tendo um caso com Charlotte sem Micha saber e talvez isso também não estivesse muito certo. Só que ela acaba cedendo e os dois começam a ter um tipo de romance (marcam encontros e se falam por mensagens de texto no celular), só que, quando tentavam chegar às vias de fato, algo sempre dava errado - e essas cenas eram engraçadas. Talvez, inconscientemente, os dois não queriam fazer nada escondido de Charlotte, por quem eram apaixonados, e estivessem esperando a oportunidade certa.


Charlotte é uma personagem misteriosa e um pouco distante. Apesar de, aparentemente, amar Micha e Mélodie, ela tenta manter uma barreira entre si e eles, talvez para não sofrer ou talvez porque pressinta que o amor pode sufocá-la e tirar dela a liberdade com a qual ela não conseguiria viver. Tem uma cena linda em que Charlotte canta "Love Letter", originalmente do cantor Mike Higbee, em um pub e parece estar cantando para Micha e Mélodie, que estão na plateia em meio a outros ouvintes. [Eu queria colocar o vídeo dessa parte, mas não encontrei.]

Foto tirada daqui


Logo as coisas começam a ficar complicadas. Mélodie é advogada, tem uma rotina de trabalho estressante e os malabarismos para manter os dois casos escondidos parecem deixá-la ainda mais confusa e exausta, até que um dia ela desabafa com o casal. Diz que está cansada e não tem em quem se apoiar. Depois disso, os três vivem momentos de sonho (ok, chega de spoilers), até chegar a um final que eu não esperava - e que é diferente do que imaginei para a minha história.

Apesar de o filme estar classificado como comédia, não passa nem perto das comédias cretinas que são produzidas no Brasil. Há algumas cenas engraçadas, mas, para mim, o filme está mais para um romance levemente dramático e dá o que pensar. Sou meio suspeita para falar, porque tenho interesse em saber mais sobre relacionamentos amorosos com mais de duas pessoas (e relacionamentos "fora do padrão" em geral). Também acho interessante o fato de alguém amar duas (ou mais) pessoas ao mesmo tempo e isso ser possível e até natural.

Eu queria ser amiga da Mélodie para ela me contar a história do ponto de vista dela. É, sou do tipo que queria ser amiga de certos personagens. Se bem que, pensando bem, tenho amigos que parecem ter saído da literatura ou do cinema (é cada história que me contam... :).

Vale a pena:

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