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quarta-feira, 6 de julho de 2016

"A gente é para o que nasce"

[Existe um documentário chamado A pessoa é para o que nasce, mas esse post é sobre outras coisas...]

Um sábado só para mim

Sábado acordei cedo e fui tomar banho. Lavei o cabelo, xampu e condicionador, passei um creme hidratante para o corpo muito cheiroso (a Natura tem uns nomes engraçados para os produtos, agora estou usando um creme chamado "algodão envolvente"), sequei o cabelo com o secador (meu cabelo fica tão liso e bonito depois do secador), coloquei um vestido preto confortável, fui comer alguma coisa e... acabei não indo para a aula do MBA, gerenciamento financeiro. Olhei o relógio, 8h15, eu chegaria meio atrasada, mas não teria problema, várias pessoas chegam atrasadas, quinze minutos, meia hora, uma hora ou duas depois das 9h. O problema seria estar num lugar fazendo uma coisa morrendo de vontade de estar em outro, fazendo outras coisas, até às 19h. Sucumbi à preguiça e fiquei em casa. 

Troquei o vestido pelo pijama, terminei de ler a revista Continente de maio - é uma revista de cultura publicada em Recife que se aproxima muito da extinta Bravo!, quero assiná-la no futuro, pois tem umas reportagens interessantes com foco em artistas e culturas pernambucanos e de outros estados do Nordeste. Descobri a Continente por acaso, quando fui pesquisar mais sobre a Nise da Silveira, depois de ver o filme sobre ela (Glória Pires está ótima interpretando a Nise!). A Ana Igual, com quem fui ver esse filme em algum cinema na região da Paulista, também gostou. Da próxima vez que eu for ao Rio (espero voltar algum dia, apesar de não ter gostado tanto da cidade), quero visitar o Museu de Imagens do Insconsciente.






Depois fui ler/ ver livros de fotografia! Revi o livro de bolso do paraense Luiz Braga, que retrata o cotidiano amazonense, e reli o pósfácio escrito pelo Milton Hatoum. Depois vi o livro da Vivian Maier, que eu tinha comprado em uma promoção faz um tempo e nem tinha tido tempo de ver. Também vi lindas fotos do África, do Sebastião Salgado, entremeadas por textos do moçambicano Mia Couto, que ganhei da Yuri de aniversário ano passado (!). É que não dá para ver esses livros de fotografia com pressa, é preciso ter tempo para apreciar...

Parece que a Vivian Maier fazia algumas gravações e, no livro, tem um trecho interessante em que ela diz que a gente precisa morrer para dar lugar a outras pessoas. A gente nasce, tem a nossa chance de viver e depois morre, para que outras pessoas também tenham a chance delas. É uma visão interessante da vida.

Se eu fosse fotógrafa ia querer fazer um trabalho mais ou menos como o da Vivian Maier e Diane Arbus. Gosto da sensação de fotografar estranhos na rua e depois tentar adivinhar suas histórias.

Enquanto não conheço a Amazônia pessoalmente, vou conhecendo essa região através de olhares alheios (ao ver essas fotos, lembrei das histórias do Milton Hatoum):


 Bar azul, 1996

 Janela Rio Guamá, 1996

Rosa no arraial, 1990 

 Sombrinha estampada e anjos, 1999


Cada foto da Vivian Maier renderia uma crônica, um conto ou um romance inteiro!




 Vivian Maier





A África pelos olhos do Sebastião Salgado (e em textos do Mia Couto):




 Texto do Mia Couto



Os textos e legendas estão escritos em português (de Portugal) e têm tradução para italiano e espanhol.



Além disso, comecei a ler um livro do Steve McCurry, apresentado pela Ana Igual (que é jornalista e fotógrafa, ex-TI). Depois quero fazer um post separado sobre ele. A Ana também me indicou uma exposição do McCurry quando fui para Roma, ano passado, consegui ver isso e achei bárbara; foi um dos melhores passeios.


Foto icônica do McCurry que saiu na capa da National Geographic





Gosto muito de fotografia, mas sei que nunca serei uma boa fotógrafa. Assim como gosto de cozinhar, mas não serei uma grande cozinheira e amo cinema, mas as probabilidades de trabalhar com isso são muito remotas. Essas atividades paralelas serão sempre hobbies. Atividades feitas com prazer, mas nunca perseguidas obsessivamente. [Aliás, para quem gosta de fotografia, uma dica é usar o Instagram no smartphone. Apesar de ter muita gente postando selfies o tempo todo, entre outras coisas cretinas, há muitos fotógrafos profissionais e amadores mostrando o dia a dia de todos os cantos do mundo. Sigo vários pelo prazer visual.]

Ao mesmo tempo, ainda me pergunto no que sou boa e no que valeria a pena "perseguir obsessivamente". Sinto que tenho potencial para ser uma boa editora e tradutora, mas, até aí, milhares de pessoas devem sentir o mesmo, que têm potencial para ser boas em alguma coisa. Ainda não estou no nível "obsessiva", mas tenho um interesse enorme em aprender tudo que puder sobre edição de livros e tradução literária.

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Ansiedade

Hoje recebi um e-mail da PUCRS, de Porto Alegre, informando que o processo seletivo para a Oficina de Criação Literária 2017, do Assis Brasil, já está aberto. Pedi informações sobre valor de mensalidade em 2015 e meu e-mail ficou registrado lá; ficaram de enviar informações sobre os processos seletivos dos anos seguintes, não enviaram ano passado, mas enviaram este ano. E, bom, vou me inscrever. E torcer para ser selecionada. Apesar de não saber se a escrita é algo para o que nasci e nem se conseguiria perseguir isso com obsessão. Só sei que gostaria muito de fazer parte disso e também de me dar um tempo de São Paulo e da rotina que tenho vivido ultimamente. Não lembro qual foi a última vez que desejei tanto uma coisa. Talvez ser selecionada para o curso de tradução literária (?).

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Sobre Bezos e e-books

A certa altura do livro A loja de tudo, o autor conta que Jeff Bezos, o fundador da Amazon, teve um momento de indecisão, pois queria muito abrir um negócio próprio, em que ele acreditava muito (ele anteviu o boom do e-commerce em meados da década de 1990; tenho ouvido muito sobre isso de "estar antenado para prever tendências" no MBA, no caso, ter noção de que tipo de lixo livro a maioria das pessoas vai querer ler e lançar isso antes de todo mundo para ganhar mais dinheiro - acho tudo isso meio louco, faz e não faz sentido), mas para isso precisaria deixar um emprego com um salário altíssimo. Aí, segundo o livro, ele refletiu e chegou à conclusão de que quando tivesse 80 anos não pensaria no salário alto ou em participação nos lucros, mas se arrependeria se não apostasse em suas próprias ideias. Talvez eu precise pensar mais dessa forma para não deixar o medo (de tentar fazer as coisas que quero) me paralisar.


Quando vão melhorar o design disso? Por favor.

Por falar em e-books, esses dias li um artigo "polêmico" do Paulo Tedesco na PublishNews, em que ele afirma que "o modelo de e-book é um fracasso", o que gerou respostas de outras pessoas. Os artigos do Paulo Tedesco são meio tacanhos, rasos e/ou óbvios, por isso tinha parado de ler. Mas diante de tantas reações de pessoas mais razoáveis, fui ver o que ele tinha escrito dessa vez. Continuo pensando que o e-book é uma ideia genial, mas que ainda precisa melhorar. Um dia me lembrarei, nostálgica, desse Kindle, presente do amigo Giuliano, e talvez eu tenha a sensação de que participei de uma grande "revolução digital". Tanto tempo o livro sendo feito, publicado e vendido da mesma forma e agora isto. É surpreendente.

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Personagens

Sábado, além dos livros e fotografia, também li (parte de) um livro chamado A personagem, que é bem básico, mas introduz o assunto de forma bem didática e interessante. Esses livrinhos da série Princípios (Editora Ática) são ótimos, porque apresentam um determinado assunto de forma clara e resumida e, no final, têm uma bibiografia comentada. Se o leitor precisar se aprofundar no assunto, pode ir atrás desses outros livros.



E fiz uns exercícios de escrita do livro Oficina de criação literária - um olhar de viés, escrito por duas ex-alunas da oficina literária do Assis Brasil, em que elas contam sobre as aulas e descrevem os exercícios solicitados. Não sei até que ponto a gente consegue aprender as coisas sozinho, mesmo gostando muito. Será que isso é possível? Uma colega da faculdade uma vez comentou que achava que a gente era capaz de aprender TUDO sozinho, mas frequentávamos escolas, colégios, faculdades, porque era muito chato aprender as coisas sozinho. Ok, o problema é que não tenho feedback nenhum ("Esse texto está uma merda. Reescreva."), então não sei se estou evoluindo ou não.




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Só na jogatina!

Domingo fui almoçar com a Yuri em um restaurante vegetariano e depois fomos para a festa junina da Paróquia São Judas jogar bingo e comer besteiras. Não ganhamos nada, mas pelo menos comemos coisas gostosas. Os prêmios legais (bicicleta, cestas com comida, edredom...) e em dinheiro, de quase mil reais, rá, ficaram só na vontade. Foi divertido mesmo assim. Agora, só ano que vem.





***

Segunda voltei à rotina, tudo dentro da normalidade.

Trabalho,
caminhada,
supermercado (comprei sardinha congelada de novo, para grelhar em algum dia da semana; depois de ver esse vídeo não terei tantas dificuldades para limpá-las como da outra vez - Santa Internet!),
banho,
jantar,
TV,
(tentar) ler
e cair no sono lendo.

***

Hoje, de diferente, eu e a Yuri fomos para o Festival de Sopas da CEAGESP (essa semana tem sopa de pinhão com cream cheese *felicidade* e de frutos do mar!, entre outras; o cardápio muda toda semana). Tentamos ir outras duas vezes em fins de semana, mas havia uma fila enorme de espera e não quis(emos) esperar. Não tenho paciência para esperar duas horas para comer; isso não é normal. Talvez por ser terça, o lugar estava bem sossegado. Esperamos só uns quinze minutos. E valeu a pena! Porque essa sopa de pinhão com cream cheese é uma das melhores.



=)


2 comentários:

Karen disse...

Espero que consiga a vaga para a oficina. Escrever sem feedback é mesmo desanimador. Ter alguém que leia seu texto e dê uma opinião deve ser estimulante e ajudar bastante.

aline naomi disse...

Eu também espero conseguir uma vaga, Karen!
Queria muito ter orientações de alguém que realmente entenda de literatura e que seja escritor de verdade para melhorar a escrita. E estou bastante relutante (= não quero) em entrar nesses cursinhos de escrita caros, de algumas semanas, em São Paulo com "escritores". Se for para fazer isso, vai ter que ser com o Assis Brasil ou tentar mil vezes uma vaga no curso da Casa das Rosas, o que é muito mais improvável de eu conseguir, porque a concorrência é muito maior.