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quarta-feira, 20 de julho de 2016

Depressão - revista Mente e Cérebro


Em maio, quando fui à Livraria Cultura comprar a revista Continente, vi essa edição da Mente e Cérebro e acabei comprando. Psicologia e doenças mentais são assuntos que me interessam (às vezes é atordoante a quantidade de assuntos diversos e aleatórios pelos quais me interesso...) e como conheço pessoas com a doença, em vários níveis, diagnosticadas ou não, tenho curiosidade de saber mais sobre isso... e, sabendo reconhecer os sintomas, talvez eu consiga perceber e ajudar alguém ou a mim mesma o quanto antes quando for preciso. Também estou com o livro Demônio do meio-dia, de Andrew Solomon, para ler faz tempo.


Eu costumava ler a Mente e Cérebro esporadicamente há uns dez anos; comprava as revistas com assuntos que me interessavam. Lembro de uma edição sobre amor e sexo que era bem interessante. Depois, deixei de ler. A editora dessa revista, a Gláucia, jornalista e psicanalista, está fazendo o MBA em Book Publishing na minha turma e é bem legal/ tem ideias legais sobre publicações na área de psicologia.

Bom, essa edição especial sobre depressão traz artigos baseados em pesquisas científicas, embora não tenha aquela linguagem acadêmica chata. Algumas conclusões confirmam ideias que eu já tinha sobre depressão - provavelmente de ter lido coisas aqui e ali -, por exemplo, que a combinação de medicamento e terapia (e não apenas medicamento), em geral, é a melhor opção de tratamento ou que a depressão pode ser desencadeada por fatores internos/ biológicos, mas muitas vezes começa com algum acontecimento externo negativo ou traumático (morte de um ente querido, separação conjugal, perda de emprego...).

Informação impressionante logo no começo da revista:
Nas próximas duas décadas a depressão deverá afetar mais pessoas que o câncer ou as doenças cardíacas e se constituir como a maior causa de afastamentos do trabalho. Segundo estimativas preocupantes da Organização Mundial da Saúde (OMS), atualmente, algo em torno de 120 milhões  sofrem com o problema em todo o planeta - 17 milhões só no Brasil.
É só um palpite, mas imagino que as condições de vida, em geral mais difíceis, para a maior parte da população mundial (crises econômicas, estresse, violência urbana, aumento populacional que gera mais competição, problemas sociais etc.) estão contribuindo para o aumento de pessoas afetadas. Claro que existem os dramas pessoais que desencadeiam a doença, mas se o ambiente não proporciona condições mínimas para que as pessoas se mantenham física e mentalmente saudáveis, é natural que a incidência da doença aumente mesmo.

Não consegui concluir se a depressão tem raízes genéticas, mas imagino que o histórico de vida pode influenciar e contribuir para que a pessoa desenvolva a doença, como relações familiares problemáticas e traumas de infância. Imagino que pessoas que precisam sempre ter/ estar com alguém por perto, por exemplo, também tenham mais chances de ficarem deprimidas quando estão sozinhas e/ou quando terminam uma relação com alguém. Não sei até que ponto alguém assim consegue perceber que precisa rever sentimentos e questões internas, talvez aprender a gostar de si mesmo e da própria companhia, para depois ter relacionamentos mais equilibrados e sadios (para não sufocar o outro).
A experiência depressiva traz sofrimentos tão intensos que são inimagináveis para os outros; não ser compreendido na própria dor acentua a sensação de estranheza e pena de si.
Na revista, há artigos sobre: alimentos e atividades físicas que ajudam a combater/ amenizar sintomas da depressão; por que alguns medicamentos não têm eficácia imediata (alguns levam semanas para fazer efeito, outros com efeito mais rápido têm efeitos colaterais perigosos); a influência positiva de participar de grupos de atividades comuns e sentir pertencimento; depressão pós-parto; depressão relacionada a suicídio (uma pessoa se suicida a cada 40 segundos - por motivos diversos -, mas a depressão pode contribuir para isso), entre outros.

Gostei e recomendo a leitura para quem se interessa pelo assunto. Além disso, a amiga Cris Maruyama escreveu um post/ depoimento bem interessante aqui.

Fiquei pensando e imagino que muitos profissionais de saúde não estão preparados para identificar e lidar com pacientes deprimidos. Pelo que ouvi de algumas pessoas, uns médicos parecem não levar a sério o fato de o paciente falar que se sente mal, que não tem ânimo para fazer nada, que nada faz sentido. Talvez para esses profissionais esses sintomas pareçam frescura ou preguiça... e sem um diagnóstico e um tratamento correto, a probabilidade de as coisas piorarem é grande.

Também concluí, não sei se de forma correta, que o estado depressivo que sentimos de tempos em tempos (sem ser a doença) serve para nos indicar que algo (ou, às vezes, tudo) está errado. Então é preciso reavaliar o que estamos fazendo com a nossa vida e mudar o que não está bom. Insistir em continuar vivendo uma realidade que não faz sentido e nos causa angústia na maior parte do tempo não deveria ser encarado como algo normal. Já que estamos por aqui mesmo, por que não (tentar) aproveitar a vida da melhor forma possível?

2 comentários:

Cristiane Maruyama disse...

Agora tenho conseguido tomar conta da depressão. Mas ela está ali, à espreita, constantemente. Gostei do post!

aline naomi disse...

Bom saber disso, Cris! ;)