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sexta-feira, 29 de julho de 2016

Eu amanheço, mas as manhãs são escuras


Agora, quando saio para trabalhar, às seis e pouco da manhã, ainda está escuro. No trajeto entre apartamento e trabalho fico pensando se vou sentir saudade desse tempo, se é que vou me lembrar dessas manhãs que mais parecem noites. Porque de muitas coisas e pessoas eu esqueço.

Hoje virei a noite trabalhando em uma revisão de uma tese da área de saúde. Não sabia que teses podiam ser relativamente simples, chegar a conclusões mais ou menos óbvias e ter menos de 100 páginas. E nem que pessoas que colocam vírgula entre sujeito e predicado podiam se tornar doutoras por universidades públicas (mentira, disso eu sabia, sim). Em uma reflexão tacanha, concluí que a profundidade/ complexidade de cada projeto deve refletir o nível de preguiça ou de vontade de inovar de cada autor. E, no fim, talvez tanto faça, para alguns, só o que importa é ter títulos.

De qualquer forma, continuo gostando muito de trabalhar com textos da área da saúde. Sempre aprendo com eles. Nessa tese, li várias informações óbvias, como, por exemplo, a de que pacientes atendidos em clínicas particulares têm mais poder aquisitivo e maior nível de escolaridade em relação a pacientes atendidos pelo SUS (jura?) - a pessoa fez algumas centenas de entrevistas e uma das conclusões é essa -, mas também aprendi uma coisa aqui, outra ali.

Também tive uma constatação: segundo a tal tese, pacientes de clínicas particulares tendem a julgar/ avaliar o atendimento em geral de forma muito mais crítica por causa do nível de escolaridade e, provavelmente, por já estarem acostumados a um certo padrão de "qualidade" (ainda que o conceito de "qualidade" seja subjetivo). Quando li isso, foi inevitável lembrar do Instituto Singularidades, onde estou fazendo aquele MBA em Book Publishing e onde a minha saga para conseguir a carteirinha de estudante continua. Por falar nisso, pediram minha foto 3x4 de novo essa semana, sendo que eu já havia entregue uma foto física em março e depois enviei a foto em arquivo mês passado. Não acreditei. Enviei a foto de novo, mas reclamei da bagunça lá. Pediram desculpas e inventaram uma justificativa ridícula. Uniesquinas, onde a palhaçada não tem fim. "Cada um tem a escola que merece"; devo merecer mesmo, pra deixar de ser idiota.

Por falar em bagunça, hoje o coordenador do MBA enviou um e-mail às 19h40, avisando que uma das professoras está doente e só teríamos aula amanhã de manhã. Alguns colegas que vêm de outros estados para o curso ficaram injuriados (afinal, pagariam passagem aérea de ida e volta para ter só 4 horas de aula) e mandaram e-mail para ele. Às 20h51, outro e-mail: o coordenador vai dar aula amanhã à tarde. Detalhe: era para a professora que vai faltar amanhã ter dado duas aulas há duas semanas, mas o coordenador/ professor "roubou" uma aula dela, por isso essa aula dela precisava (precisa) ser reposta. Em dois anos de FGV, só aconteceu uma vez de não termos aula porque o professor estava com problemas de saúde; nesse outro MBA nem completamos um semestre e três professores já faltaram por motivos diversos (teve uma vez que um professor faltou e ainda postou foto com outros alunos em redes sociais - ele foi dar aula em outro lugar, sendo que tinha se comprometido a dar aula para a nossa turma naquele dia!). Uniesquinas, onde a palhaçada não tem fim mesmo.

Entro no metrô desejando que várias memórias do que estou vivendo hoje se percam. Afinal, esquecimento não deixa de ser um tipo de liberdade.

Algumas estações adiante, desço na plataforma ("saída pelo lado esquerdo do trem") e caminho até a saída. Agora o sol já surgiu. Agora, sim, é outro dia. Quem sabe a luz ilumine o meu futuro.

2 comentários:

Karen disse...

Sim, dissertações e teses, em geral, são mais "ritos de passagem" do que qualquer outra coisa. Basta ser coerente para receber um diploma lá no final. (Nem fui buscar o meu de mestrado). Há pouca coisa realmente inovadora. Acho que é ainda pior nas humanas...

Deixei de ter expectativas em relação a uma porção de coisas e isso melhorou bastante a minha moral. Um dia de cada vez, uma tarefa por vez, apenas uma entrega ao imediato. Tentando ser zen.

Espero que seu ânimo melhore. Viver em SP não deve ajudar. Tudo muito rápido, cheio, e vazio.

aline naomi disse...

Oi, Karen!
Olha, pra mim, isso de tese em área de saúde não apresentar novidade ou alguma contribuição relevante para a ciência ou outros estudos em andamento é novidade. Em Humanas, sei que é meio comum (na faculdade, por curiosidade, às vezes pegava dissertações e teses para ler e ficava pensando qual a relevância daquilo para os outros estudiosos ou para humanidade ou até para a própria pessoa... dava um certo desânimo...). É que em odonto, vários TCCs em que dei uma olhada já tinham uns estudos muito interessantes e com aplicação prática (pesquisas sobre novas formas de tratamento visando diminuir a dor e/ou o tempo de recuperação do paciente, por exemplo), então foi novidade ler uma TESE em que não vi originalidade nenhuma e que um aluno no fim da graduação talvez poderia ter escrito. Daí concluí que tudo depende de cada pessoa mesmo e que só porque é uma "tese" não quer dizer que seja original (eu jurava que o projeto de uma tese tinha que ser algo original e relevante para ser aceito). Vivendo e aprendendo! :)

Adoro São Paulo e todas as possibilidades que ela oferece, mas às vezes tudo é cansativo. Já me dei conta de que preciso mudar algumas (várias) coisas, mas me planejei para fazer isso ano que vem. Vamos ver se dá certo.

O fim de semana foi bom, então já estou mais animada. :)