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terça-feira, 26 de julho de 2016

Pílulas azuis, de Frederik Peeters


Essa é a HQ Pílulas azuis (Pilules Bleues), da qual falei um pouco no post anterior. É uma autobiografia do suíço Frederik Peeters (o site dele é este, em francês), lançada em 2001. No Brasil, ela foi publicada no ano passado pela Nemo (que, aliás, tem HQs ótimas!). 



Frederik (Fred) teve a ideia de escrever essa HQ porque estava com receio de contar para sua família, especialmente para sua mãe, que estava namorando Cati, uma mulher soropositiva. Ele achava que se a família lesse a HQ e vissem como era a rotina deles, a aceitação seria mais fácil/ menos difícil. 

Então, na HQ, Frederik (Fred) conta sua história com Cati. Como se conheceram e se apaixonaram...


como gostavam de se encontrar e sair juntos...


... até que ela lhe conta que tem Aids e seu filho também.



Fred tenta descrever seus sentimentos depois da notícia bombástica (provavelmente o que a maioria de nós sentiria se alguém de quem gostássemos muito nos contasse isso...):



Eles acabam ficando juntos e, aos poucos, vamos acompanhando a rotina do casal e do filho de Cati.


Muitos trechos retratam o dia a dia de uma família comum (momentos fugazes e ternos, pequenos problemas e cansaços comuns, alegrias e preocupações), às vezes assombrado pela Aids. Vez ou outra Cati se sente culpada por ter passado a doença para o filho. Aliás, não lembro como ela foi contaminada, talvez pelo ex-marido.



Nos quadrinhos abaixo dá para ver o desespero do Fred quando a camisinha estourou e havia a possibilidade de ele ter se contaminado:




Aqui, o médico, muito simpático, explica que as chances de contaminação eram muito baixas, porque a carga do vírus da Cati estava sob controle:



O legal da edição brasileira é que ela tem uma parte atualizada. Os filhos de Fred e Cati (Fred e Cati tiveram uma menina, que não tem Aids) e Cati dão uma "minientrevista" falando sobre suas vidas, treze anos depois...







Gostei muito da forma como Fred contou essa história. Em nenhum momento ele fez com que os leitores sentissem pena da Cati ou contou coisas de um jeito supercomovente com o intuito de fazer as pessoas chorarem (isso se chama: retratar as pessoas com dignidade). De forma até meio leve e engraçada (considerando o assunto em questão), ele demonstra que, sob vários aspectos, conviver com alguém com Aids é algo comum, ainda mais com o avanço dos tratamentos ao longo do tempo.

Descobri que a HQ foi adaptada para o cinema em 2014 (só encontrei informações sobre isso em francês - nesse link há uma entrevista interessante com o Fred, em que ele comenta sobre o filme e, até certo ponto, parece desapegado da leitura que o diretor fez de sua história; quando tiver tempo, vou traduzir a entrevista e acrescentá-la nesse post, talvez mais pessoas se interessem por isso... e ninguém é obrigado a saber francês...). Encontrei também um trecho de 1 minuto do filme no Youtube... é o trecho em que Cati conta a Fred que tem Aids, no meio de um jantar romântico.

Recomendo a leitura! Queria ver o filme!

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