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quinta-feira, 28 de julho de 2016

Uma estranha na cidade, de Carol Bensimon


Hoje, no ônibus, terminei de ler Uma estranha na cidade, da Carol Bensimon. Esse livro reúne uma série de crônicas publicadas em jornais e blogues, além de um ensaio inédito sobre uma cidade-fantasma chamada Bodie, na Califórnia (para mim, um dos pontos altos do livro).


Como fã desleixada, não acompanho tudo que a Carol Bensimon publica na internet; vez ou outra dou uma olhada no Blog da Cia. (da editora Cia. das Letras) e na coluna que ela escreve ou escrevia no Zero Hora (vi agora, ela continua escrevendo lá), por isso só alguns textos me pareceram familiares. Para quem lê tudo que ela publica, talvez o livro seja uma releitura, exceto o ensaio sobre Bodie no fim.

De memória, calculo que mais ou menos metade dos textos (crônicas? ensaios?) é sobre arquitetura e planejamento urbano nas cidades, especialmente em Porto Alegre, onde a autora mora. A julgar pela coluna dela no ZH, os textos sobre esses assuntos foram publicados lá. Interessante notar que muito do que ela escreve sobre Porto Alegre também serve para São Paulo e outras grandes cidades do país, além de nos fazer refletir sobre espaços públicos e as pessoas que fazem uso (ou não) desses espaços.

E também há crônicas sobre vários assuntos aleatórios: música, hábitos de consumo, publicidade, geração Y, sobre aquele traficante brasileiro condenado à morte na Indonésia, bissexualidade e provavelmente vários outros de que não me lembro agora.

[Entre colchetes porque fica mais confortável: talvez eu esteja começando a desenvolver o tal "olhar de editora" de que o editor com quem trabalho fala; eu editaria esse livro um pouco diferente: 1) separaria os textos em duas categorias: "Sobre a cidade" e "Aleatórios", porque me incomodou um pouco ler sobre planejamento urbano e, em seguida, sobre outro assunto aleatório, e depois ler sobre planejamento urbano de novo (chatice minha, será?) e 2) colocaria a data e o site em que os textos foram escritos/ publicados originalmente - chuto que os textos tenham sido escritos entre 2005 e 2015, mas não dá para ter certeza... e, daqui a dez anos, talvez o "prazo" desses textos tenham vencido (considerando que crônicas muitas vezes são datadas) e precisarão ser lidos dentro de um certo contexto. Pronto, falei.]

O último ensaio ("Bodie, Califórnia") é o meu preferido! Nele, a Carol (é tão estranho escrever "a Carol", como se ela fosse uma velha amiga...) conta resumidamente a história da corrida pelo ouro no Velho Oeste americano e também que as cidades se esvaziaram quando a febre passou para nos situar em relação à cidade-fantasma que ela foi visitar. É um relato muito interessante, como a maioria das coisas que a autora escreve.

Abaixo, duas fotos de Bodie, Califórnia, tiradas daqui.




***
Na última aula do MBA, há duas semanas, a aula à tarde foi sobre "Prospecção, leitura crítica e aquisição", com a Sandra Espilotro (ex-editora das editoras Globo e Ediouro), e a maioria gostou muito da aula dela. Lembrei da aula dela enquanto lia, porque, no começo da aula, a Sandra pediu para citarmos escritores brasileiros contemporâneos porque a gente (o brasileiro em geral) não costuma ler esse tipo de literatura. Só que ela caiu do cavalo, porque a maioria citou vários autores. Eu citei Carol Bensimon e ela disse que não conhecia. Aí senti um pouco o que adolescentes fanáticos devem sentir quando eles começam a falar sobre tal banda ou tal youtuber e alguém responde que não tem ideia do que eles estão falando: Como assim não sabe quem é Carol Bensimon?? (pensei, mas não falei, é claro). Ela disse que vai pesquisar os autores que citamos e que ela não conhece. Por fim, ela disse, apontando a lousa com o nome de vários escritores brasileiros, que era isso que a gente precisava ler (mais). Fiquei contente porque a maioria dos autores que citaram e que ela citou eu conhecia e/ou já tinha lido. Em relação a isso, acho que não preciso me preocupar tanto - literatura brasileira contemporânea é um interesse sobretudo pessoal, então, de uma forma ou de outra, sempre vou acompanhar.

Também queria comentar que gosto muito da editora Dublinense. Os títulos são bem editados, não encontrei erros nos títulos que li até agora e as capas são atraentes - talvez por eu ter comentado sobre a beleza das capas com um dos sócios da editora, por e-mail, recebi quase vinte marca-páginas de vários títulos da editora (adorei!!) com esse livro que comprei. A Dublinense lembra uma coisa que o editor Jiro Takahashi disse em uma das aulas: que os editores podiam optar por 1) dar aos leitores o que eles querem (ou seja, ser um espelho do mercado) ou 2) incentivar/ formar um público leitor que se interesse pelo que eles publicam, acrescentando/ oferecendo algo de novo ou diferenciado para esse público. A primeira opção é a mais "cômoda", penso eu. A segunda, mais arriscada, mas potencialmente muito mais rica. A Dublinense se encaixa claramente na segunda categoria - investir em literatura brasileira de qualidade não é para qualquer um. Fica minha admiração.

Marca-páginas da Dublinense! <3 p="">

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