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sábado, 6 de agosto de 2016

Dormir, acordar

Antes de estar totalmente acordada, olhei o celular: 8h15. Vou me atrasar para a aula, pensei.

Levantei cinco minutos depois, fui meio dormindo para o banho. Lavar o cabelo, secar o cabelo, passar creme hidratante, o ritual todo.

9h. Vou me atrasar. Melhor olhar o horário e confirmar se hoje vai ter aula (oficina de tradução literária, na verdade). Não acreditei. Hoje não tinha aula. Só semana que vem. Ufa.

Senti um alívio porque não estava a fim de ir hoje, apesar de gostar muito dessa oficina. Não li os próximos textos a ser traduzidos. E não tinha certeza do que faríamos hoje. Não sei se era para já ter traduzido (ao menos lido?) algo.

Essa semana recomeçaram as aulas do curso de tradução, mas faltei porque estava trabalhando em uma tradução. Virei duas noites trabalhando nisso, e foi entregue no prazo. Ainda tenho outra tradução para entregar semana que vem. E uma revisão de TCC na outra semana. Lamentei ter faltado na aula de teoria de tradução, mas não na de história da tradução. Ainda estou pensando se vou continuar frequentando essas aulas de história, porque elas não têm me acrescentado quase nada, só me fazem sentir mais cansaço durante a semana.

Como eu estava com um pouco de peso na consciência por ter faltado nas aulas, ontem fui a uma palestra na Casa Guilherme: "Tradução como imersão na textualidade", com a Lenita Rimoli Esteves. Em geral essas palestras são muito boas.

A Lenita se envolveu em um caso inédito há mais ou menos quinze anos: ela e outro tradutor que traduziram O senhor dos anéis processaram a editora Martins Fontes porque alegaram ter recebido apenas o valor da tradução e mais nada referente a direitos autorais - não sei se isso é 100% ilegal, porque assinamos um contrato em que cedemos os direitos de tradução para a editora e reconhecemos firma em cartório... e, bom, é isso que acontece no mercado editorial (esta matéria da Folha de junho de 2004 explica um pouco o caso). Mas a palestra de ontem não teve nada a ver com isso (apesar de ela já ter ido falar sobre esse caso e várias outras coisas sobre tradução em uma palestra na Unesp/Ibilce, quando eu estudava lá, no começo dos anos 2000). Não acompanhei o caso, não sei se ela ganhou a causa. Imagino que as editoras devem ter ficado de cabelo em pé depois de ela ter processado a Martins Fontes. Só sei que ela acabou seguindo carreira acadêmica, hoje dá aula na USP.

A palestra foi sobre traduções feitas pensando-se no próprio texto e não na tradução como algo necessário para que conteúdos escritos em línguas estrangeiras sejam entendidos pelos interessados. Ela falou um pouco sobre Paul Cilliers, teoria da complexidade, Jacques Derrida, O mercador de Veneza, Douglas Hofstadter, Theodor Storm, O centauro bronco e A assombrosa história do homem do cavalo branco. A palestra foi interessante e enriquecedora.

E hoje, no horário em que eu achava que estaria na oficina de tradução, vi um filme sobre Oscar Wilde, matéria do próximo post.

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