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terça-feira, 23 de agosto de 2016

Soppy, de Philippa Rice


Ontem reli a HQ Soppy, da quadrinista/ cartunista inglesa Philippa Rice, publicada no Brasil pelo selo Fábrica231, da editora Rocco, em maio desse ano. Primeiro havia lido no Kindle, em preto e branco, depois comprei a versão impressa, que é colorida. 


Encontrei essa foto da Philippa na internet e achei que ela se retratou bem nas ilustrações:


Estúdio da Philippa (lembra a casa da minha tia que faz artesanato)

"Soppy" quer dizer "piegas" em inglês e retrata o dia a dia de Philippa com seu namorado Luke Pearson, que também é quadrinista, desde que eles se conheceram até o dia a dia depois que foram morar sob o mesmo teto. Apesar do título, não achei que a relação dos dois é retratada de forma "piegas" nem irrealmente romântica - na verdade, é tão realista que um monte de gente deve se identificar com várias situações.

Me identifico um pouco com isso... 


 ... e com isso também! :)

Nessa entrevista ao jornal O Globo, ela conta que começou a fazer um tipo de diário apenas com ilustrações para cada dia que passava com o namorado por achar mais fácil.

Nessa outra entrevista ao jornal Telegraph, ela conta que as cores foram parcialmente influenciadas por um livro de Yves Saint Laurent chamado La vilaine Lulu (nunca tinha ouvido falar disso...) e também por Canopée, de Karine Bernadou (dei uma olhada em algumas páginas dessa HQ e achei bem sinistra, como a própria autora da matéria do Telegraph escreveu, assim como La vilaine Lulu - fiquei com vontade de ler as duas):





Gostei da forma como Philippa retratou sua relação com o namorado - são situações bastante próximas da realidade de casais comuns. É o extraordinário dentro do comum.



Encontrei um vídeo em que ela mostra o processo de ilustração do livro:



Antes de Soppy, Philippa era conhecida por My Cardboard Life, em que ela inventa mil personagens e cenários com papel, é bem legal, mas, por alguma razão, não achei a versão animada desse trabalho tão emocionante. 

Essa sequência se aplica totalmente ao clima gélido dessa semana:



Quem nunca? :)

Além de desenhar, a autora também inventa personagens de crochê, que podem ser vistos aqui (também vi alguns deles ganharem vida no "Soft Spot", canal que ela mantém com o namorado no YouTube). Antes de ser publicada por uma editora comercial, Philippa era uma autora independente, ela se autopublicava. Gosto de pensar que ainda existem alternativas que vão na contramão das publicações puramente comerciais.



Um comentário:

Anônimo disse...

O que me chamou a atenção nesse livro ilustrado foi o esquema de cores. Poucas cores, paleta simples mas sempre variando em um mesmo padrão. Me faz lembrar de alguns livros que eu lia ainda na minha infância, onde muitos seguiam esse mesmo esquema.

Bom, irei conferir essa obra. Talvez hoje mesmo já compre, aproveitando as ofertas de uma rede que vende livros (não vou citar o nome, já que seria propaganda indevida), mas o que importa é que o material parece ser interessante.

Não pela arte em sí, mas pelo conteúdo, e agora realmente fiquei curioso para conhecer melhor a obra.