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segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Sukiyaki de domingo, de Bae Su-ah


Terminei de ler esse livro sábado, no ônibus, indo para São José. 

É um romance coreano escrito por Bae Su-ah, autora com formação em química e que gostava de escrever como hobby. O livro foi traduzido do coreano por Hyo Jeong Sung e publicado pela Estação Liberdade.

Sukiyaki de domingo já estava na minha meta de leitura deste ano (minha lista de livros a ser lidos esse ano está em improváveis 154 títulos, dos quais só li 50 até agora, além de outros que não estavam na lista) e li correndo essa semana por conta do II Concurso de Ensaios de Literatura Coreana. O prazo para pedir o formulário para inscrição e enviar um resumo do livro era até sábado; enviei o e-mail quase à meia noite e já confirmaram o recebimento, ou seja, estou dentro! Quero dizer, terei a oportunidade de inscrever um ensaio que ainda preciso escrever.

Esse foi o segundo livro de literatura coreana que li; o primeiro foi Por favor, cuide da mamãe, de Kyung-Sook Shin. Ficaria feliz se as editoras brasileiras lançassem mais títulos de literatura coreana!

Sukiyaki de domingo, como a própria autora escreve no fim do livro, em "Palavras da autora", não é um romance com um herói cujas aventuras são narradas cronologicamente - e pede desculpas porque, se o leitor espera isso, o livro será uma decepção. De fato, o romance não é focado em um ou alguns personagens principais com uma história a ser contada. Em vez disso, há várias histórias de personagens pobres ou miseráveis que, no fim, acabam personificando a miséria.

No primeiro capítulo, conhecemos um pouco da história de Ma, um homem que já foi professor universitário, mas que passou a viver como um vagabundo miserável sustentado pela segunda esposa em uma casa degradante, aparentemente num lugar semelhante a uma favela. As descrições de Su-ah me lembraram um pouco as que o Aluísio Azevedo fazia em O cortiço. Eu conseguia visualizar a situação degradante dos personagens e quase sentir os odores descritos pela autora.
A ex-mulher de Ma não se surpreendeu com a casa desarrumada. O gato olhava Kyung-sook Don tirar a pilha de roupa seca do sofá, com os olhos repletos de fúria, mas acabou fugindo. O sofá fedia, mas era o único lugar onde a visita podia se sentar.
[...] Kyung-sook Don pegou o pano de prato que estava na pia enferrujada para limpar a boca de Ma. A baba deixou uma mancha preta no pano. 
Nesse primeiro capítulo, além de conhecermos um pouco de Ma e sua esposa (Kyung-sook Don), somos introduzidos à sua primeira esposa e ao filho de Kyung-sook Don (do primeiro casamento), personagens que serão retomados ao longo dos capítulos seguintes, assim como acontecerá com vários outros personagens.

Estranhei o "sukiyaki" no título, pois é uma comida tipicamente japonesa, mas li que a autora queria provocar esse estranhamento de propósito. Sukiyaki, na Coreia, pelo que li, é uma comida "de rico", e o fato de alguns personagens desejarem tanto comer esse prato talvez simbolize a vontade ou o sonho de eles pertencerem a uma classe socioeconômica superior.

Nos últimos capítulos do livro (parte que achei mais monótona), um personagem vai entrevistar um vagabundo que tinha preguiça de trabalhar e vivia catando restos de comida para sobreviver. Depois, há um capítulo em que o personagem explica sua vontade de pesquisar a fundo a origem e as motivações da miséria, que entendi como sendo a motivação da própria autora.
As entrevistas iam desde histórias pessoais até chegar nas opiniões sobre as políticas atuais contra a miséria. Pois uma história pessoal reflete a história da sociedade.
Fiquei pensando que as histórias no livro podem ter se originado de entrevistas com pessoas com um perfil "miserável" ou que tiveram um passado miserável feitas por esse personagem/ alter ego da autora. E que todas as pequenas histórias dos personagens miseráveis servem para dar rosto à miséria na sociedade coreana.

Gostei do romance que não parece romance (li em alguma resenha que os capítulos podem ser lidos de forma independente como contos; apesar de vários personagens se cruzarem ao longo do livro, de fato, cada capítulo forma uma unidade) e recomendo a leitura.

Observação: fiquei com vontade de preparar sukiyaki e experimentar todas as comidas coreanas citadas no livro!

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