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segunda-feira, 8 de agosto de 2016

The Wedding Eve, de Hozumi


Quinta-feira passada fui à banca procurar por O jardim das palavras, depois que a Ana Igual me indicou o anime homônimo (este), que ainda não vi, mas pretendo ver em breve. Não achei o que procurava, mas achei The Wedding Eve (A véspera do casamento), que eu também queria ler.

Até parece que sou vidrada em mangás. A verdade é que só alguns em volume único me chamam a atenção. Não tenho paciência para os mangás com mil volumes, a não ser que alguém compre todos, leia, me fale que vale muito a pena e me empreste a coleção completa de uma vez. Tenho a impressão de que quase sempre os autores ficam enrolando a história, colocando um monte de elementos desnecessários  na trama, só para vender mais, e isso me dá nos nervos.


Aprendi aqui que A véspera do casamento é um mangá josei, ou seja, um tipo de mangá voltado para mulheres adultas (tem mais explicações aqui na Wiki), diferentemente de mangás shojo, por exemplo, voltados para garotas de 12 a 18 anos. Pelo que entendi, existem milhares de tipos de mangás. Eu gosto de mangás que retratam relações humanas e que se assemelham a contos e novelas. 


[A PARTIR DAQUI, CONTÉM SPOILERS!]

Esse mangá é  composto por cinco histórias (ou seis, se considerar que uma delas está dividida em duas partes) que me lembram contos curtos:



Nessa primeira história, que dá nome ao mangá, há uma garota que vai se casar. No começo, parece que o rapaz que mora com ela é seu noivo, embora não demonstre nenhum entusiasmo com o casamento, o que provoca estranheza.

A cena em que a garota pede para o rapaz lhe dê a mão na hora de dormir é emblemática. Mais tarde ficamos sabendo que ele não é o noivo, mas o irmão da garota. Gosto da ambiguidade que fica no ar: haveria um amor platônico entre os irmãos?

Essa história lembrou um filme japonês que vi em na mostra Kon Ichikawa no ano passado: Otôto (irmão mais novo), por causa da ambiguidade da relação entre os irmãos. Como esses tabus são retratados, em geral, com muita sutileza em livros e filmes japoneses, não é possível concluir nada. De qualquer forma, gosto dessas coisas que "ficam no ar".


A segunda história, talvez a minha preferida, retrata um dia aparentemente comum em que o pai divorciado fica com a filha pequena. Primeiro pensei que o pai estava com a garota no apartamento dele, mas depois entendi que ele estava no apartamento em que a menina mora com a mãe. E ele se mostra preocupado, proque precisa ir embora antes de a mãe voltar - esse parecia ser o trato entre ele e a mãe.

Quando a mãe chega, pela conversa com a menina, conseguimos entender a situação real. É totalmente diferente daquilo que parecia.


Na terceira história, dois irmãos gêmeos estão em um bar conversando, depois de irem ao enterro de uma "amiga" em comum, Yukiko, que morreu de câncer. Aos poucos, vão bebendo e se soltando, aí descobrimos que os dois se apaixonaram por Yukiko quando eram jovens, o que talvez tenha provocado o afastamento entre eles (fazia anos que não se viam). Um deles achava que o outro havia namorado a garota quando eram jovens, o que ele nega com firmeza.

A minha interpretação foi que Yukiko se apaixonou pelos dois irmãos e, não podendo escolher nenhum dos dois, optou por ficar sem nenhum deles. Ou talvez gostasse mais de um do que de outro, mas talvez sentia que não era ético se declarar, pois sabia que os dois gostavam dela, e ficar apenas com um deles provocaria o afastamento entre eles (o que acabou acontecendo de qualquer forma). Estranhamente, Yukiko morreu solteira.



O espantalho que sonha se passa nos Estados Unidos (os outros contos parecem se passar em algum lugar no Japão). Um rapaz sai de Nova York e vai para o casamento da irmã no Kansas, onde passaram a infância, na casa dos tios, onde não eram exatamente bem-vindos.

Por não ter a mãe por perto quando pequena, Betty começou a chamar um espantalho que havia na plantação dos tios de "mãe". Isso continuou até sua fase adulta.

Betty se casa e Mike volta a Nova York, talvez com outra perspectiva de vida e outro estado de ânimo, já que a irmã estava muito feliz e seguindo sua própria vida.


Em O pequeno jardim de outubro, uma garota passa a conviver com um escritor (contra a vontade dele) na mesma época em que uma jovem desaparece no bairro e um corvo morre.. 

Essa história me lembrou um pouco o poema O corvo, do Poe, pois os dois têm um estilo sombrio e misterioso.



A última história é narrada a partir do ponto de vista de um gato. Alguém liga para seu dono enquanto ele não está em casa e deixa um recado na secretária eletrônica. Pelo recado, ficamos sabendo que alguém foi levado de ambulância para o hospital.

O gato, indolente, "tenta avisar" o dono sobre o recado na secretária eletrônica, em vão.

O cunhado volta a ligar, dessa vez o dono do felino está em casa e atende. A mulher que fora levada ao hospital momentos antes acabara de dar a luz a um bebê. Estava tudo bem, e o dono do gato agora era tio.

Fiquei imaginando essas histórias como contos em prosa, sem as partes ilustradas. Continuariam sendo ótimas histórias. As personagens foram desenhadas de forma muito expressiva, assim como o ambiente e os detalhes. Como seria fazer esses elementos imprescindíveis para esse tipo de livro desaparecerem e transpor tudo em texto? Seria um bom exercícios de escrita... talvez eu tente! :)

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