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quarta-feira, 17 de agosto de 2016

Uma aula diferente

Desde o meu último post na semana passada, não houve mudanças drásticas na minha vida. Basicamente trabalhei, virei algumas noites em claro, cozinhei (aprendi a fazer quibe de peixe!), tive alguns sonhos de que não me lembro mais, terminei de ler livros e HQs que gostaria de comentar depois. Gostaria de ter ido ao cinema ver um filme iraniano sobre uma jovem esposa divorciada e a condição dela dentro da sociedade, mas não consegui. Quem sabe esta semana. 

Hoje vou escrever sobre a última aula do MBA em Book Publishing, que aconteceu sábado passado. Apesar de não estar lá muito satisfeita com o curso em geral, me surpreendi com a aula de "Liderança e gestão de talentos", com a Lia Fonseca. Lembro de ter tido alguma matéria parecida com isso na FGV, mas o foco era um pouco diferente. Na aula de sábado, o foco era nós mesmos, autoconhecimento; na FGV, o foco era tentarmos ser "bons líderes", prestar atenção em características das pessoas da equipe e aproveitar isso em prol do projeto etc. Acho que começar pelo autoconhecimento faz muito mais sentido. Só conseguimos avaliar outras pessoas e eventualmente alocá-las em atividades em que elas se encaixam melhor se nós nos conhecermos também.

Tirei foto desse slide específico porque, por mais clichê que seja, essas perguntas (que respondi mentalmente) podem direcionar nossa vida e nossa carreira. Consigo identificar com facilidade o que gosto de fazer, o que me dá prazer e como empregaria o meu tempo mesmo se não precisasse trabalhar. No fundo, as pessoas também devem saber do que realmente gostam... mas falta coragem para assumirem e correrem atrás do que realmente querem. Isso dá muito mais trabalho do que continuar num emprego mais ou menos estável e ganhar um salário para pagar as contas do mês. São tempos difíceis os nossos.

Perguntas para se nortear e parte da cabeça da Ana Luíza... :)

A Lia mostrou um outro slide apontando que, segundo uma pesquisa da Gallup, só 3% das pessoas estão satisfeitas no trabalho (!), uma boa parte, uns 70% (não lembro a porcentagem exata), não estava satisfeita nem insatisfeita, e o restante estava totalmente insatisfeita. Tentei encontrar essa pesquisa, mas só encontrei esta matéria rasa.

A tendência é as pessoas do grupo "nem satisfeitas nem insatisfeitas" passarem para o grupo "insatisfeitas" do que para o grupo de "satisfeitas". E concordo com o que a Lia falou, porque isso é algo em que eu já tinha pensado: muitos querem mudar de emprego ou de carreira ou mesmo aspectos importantes da vida pessoal, mas não têm coragem ou sequer se planejam para isso, preferem continuar numa certa zona de conforto, às vezes só reclamando. Claro que há situações em que não é possível mudar, porque a realidade é extremamente difícil, mas muitas vezes tenho a impressão de que as pessoas que poderiam mudar suas realidades têm preguiça. Querem empregos e salários melhores, mas não fazem nada para mudar a situação. No meu caso, estou sempre tentando me aproximar dos 3% que são felizes no trabalho. Nada garante que vou conseguir, mas ficar parada só me faria ter certeza de que nunca vou conseguir chegar a lugar nenhum.

Vários testes para autoconhecimento

Na semana passada, a Casa Educação enviou um teste do Método Quantum, elaborado pela brasileira Claudia Riecken, baseado em pesquisas linguísticas, estatísticas e hipnose ericksoniana (whatever it means). Era um teste baseado em duas perguntas mais ou menos assim:

1. Como você acha que a empresa o vê?
2. Como você realmente é?

Para ambas as perguntas havia muitos adjetivos ou palavras que poderíamos assinalar.

Sinceramente? Achei que que seria mais um desses testes dessas revistas femininas e o resultado seria algo do tipo horóscopo. Sou bastante cética. É muito difícil eu me deixar levar por coisas que não têm comprovação científica ou, no mínimo, alguma lógica.

E sábado nos entregaram o resultado do teste. Todo mundo fez e recebeu o resultado individual. A Lia comentou sobre o teste ter uma acurácia de 97% (imaginem a minha cara de ceticismo quando ela falou isso...). No entanto, quando comecei a ler o tal resultado, fiquei abismada. Muito do que eu sou e de como eu me comporto apareceu na análise. Das coisas que julgo verdadeiras ali eu já tinha uma autopercepção de que sou assim e me comporto das formas descritas de uns 50%, afinal de contas, são trinta e cinco anos convivendo comigo mesma. Por exemplo, que não tenho afinidade com atividades repetitivas, não tenho medo de arriscar, confio nas minhas próprias opiniões, prefiro atividades de longo prazo e me estresso com as coisas "para ontem", sem planejamento e caóticas (consigo me virar, mas meu nível de estresse vai parar nas alturas), não gosto de gastar tempo com atividades sociais sem sentido (festinhas de empresa, em geral, são uma tortura - principalmente quando o salário é ruim, todo mundo está infeliz e a empresa promove essas festinhas para agradar os funcionários (como se)... qual a lógica? -; prefiro mil vezes trabalhar normalmente do que participar dessas festinhas... até porque, quando a festinha terminar, provavelmente o trabalho só vai ter acumulado). Segundo o teste, gosto e me sinto estimulada com desafios e sou voltada para "ação" e "resultados"; atingir metas para mim é importante e minhas tomadas de decisão são racionais (posso até "balançar" por aspectos emocionais, mas a decisão final será sempre racional).

Tem um trecho lá com o qual não concordo: diz que não consigo me concentrar por longos períodos. Isso depende muito da situação. Numa aula chata (gerenciamento de custos?), é realmente muito difícil me manter concentrada por muito tempo, mas quando estou trabalhando em algo que adoro e faz sentido (traduzindo ou revisando um livro legal/ que faz sentido para mim e para outros possíveis leitores, por exemplo), consigo me focar, sim, e muito. Parece que entro em outra dimensão e vou até meu corpo reclamar.

De negativo, há sugestões do tipo: procurar não tomar decisões ou resolver problemas de forma "original" e fora das normas da empresa em que estou, mesmo que o objetivo seja resolver o problema. Que posso ser cética e ácida (sério? rá!). Que devo evitar conflitos desnecessários.


Trechos:

... é uma pessoa de liderança marcante, com atenção voltada para os resultados, metas, objetivos, respondendo aos problemas e desafios de forma estimulante.
Tem ousadia, corre riscos e aposta muito mais em seu ponto de vista do que no de outros, e por essa característica dificilmente delegará real autoridade. Tem opinião muito bem definida.
Apresenta audácia, proatividade e ponderação, com ritmo estável...
... tende a uma análise generalista e tem uma visão estratégica acentuada, com seu foco no quadro geral.
Um tanto individualista, fará as coisas no "seu tempo", formulando cuidadosamente sua opinião, a qual expressará com consistência e apenas no momento oportuno.
Irreverente, procura o novo, o original, o não convencional, e pode ser de criatividade muito acentuada.
Tem um estilo espirituoso, ardiloso e direto. Trata-se de uma pessoa que geralmente oferece soluções muito pensadas para os processos da empresa levando seriamente em conta os resultados. Sua prioridade número 1 será focada nas metas e em fazer as coisas acontecerem (mais do que em obter simpatia pessoal). Estilo de comportamento ousado e direto.
... você é independente, de tal forma que prefere fazer as coisas de maneira não convencional ou estabelecida. Original, aprecia as novidades e os ambientes informais.
Sua tendência comportamental, perante regras e referenciais externos, aponta posturas corajosas, ousadas. Você possui certo despreendimento em relação a padrões vigentes, e se vale assim do seu referencial próprio. Isto se deve a características inerentes ao seu perfil.
Seu notável pensamento empreendedor com relação ao que o mundo precisa e ainda não tem faz de você uma figura inventiva, voltada para o futuro, para a inovação. Contudo, Aline, você deve prestar atenção para não exagerar na dose e evitar conflitos desnecessários.
A autoconfiança é uma das suas qualidades e assim você toma iniciativas sem hesitação, assume responsabilidades, corre riscos, mas tende a tomar suas decisões somente depois de refletir sobre o assunto, respeitando seu ritmo próprio. 

Em certos trechos, senti que características profissionais se entrelaçam com as pessoais. Deve ser normal. E não me identifico com tudo ali. Sério que tenho uma "liderança marcante"?! Não acho. Quando li "Tem ousadia, corre riscos e aposta muito mais em seu ponto de vista do que no de outros [...]", lembrei de uma vez que minha tia contou que quando eu estava no jardim de infância (devia ter 4 ou 5 anos), a professora comentou que eu não mudava minha opinião só porque todo mundo tinha uma opinião diferente (talvez por isso, quando aprendi a palavra "opinionated", em inglês, me identifiquei...). É engraçado notar como algumas características pessoais são inatas. Muitas delas podem ser trabalhadas e desenvolvidas, mas outras fazem parte da nossa essência. Apesar de me considerar "opinionated", mudo de opinião se concluir que o que eu pensava antes estava errado ou falho; só não me venham com argumentos do tipo: "Porque deus quis assim". 

Agora estou um pouquinho menos cética em relação a testes. E gostei do Método Quantum. Com o teste e a ajuda de um profissional ("coach"?), acredito que as pessoas são capazes de tomar decisões mais assertivas em relação à carreira e também à vida pessoal (às vezes as duas coisas estão muito entrelaçadas e as decisões de uma área afeta a outra de forma inevitável). Tenho a impressão de que todo mundo (ou quase todo mundo) passa por questionamentos profissionais - eu e quase todos os meus amigos temos "crises" de tempos em tempos, em geral, relacionadas à "falta de tempo" ou por não conseguirmos fazer o que gostamos ou o que queremos, da forma em que acreditamos. Quando isso se torna frequente e causa dor, não há outra forma de resolver senão mudar (de postura, de emprego, de carreira, de país, de planeta).

Teremos mais duas aulas com a Lia e estou animada.

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