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domingo, 7 de agosto de 2016

Wilde - O primeiro homem moderno, de Brian Gilbert


Sexta-feira o editor me falou da coleção Grandes biografias no cinema, publicada pela Folha, que começou a ser vendida esta semana nas bancas. Ele comprou os primeiros volumes da coleção (livreto + DVD do filme), baseados na vida de Napoleão Bonaparte e Oscar Wilde. Gostei da sinopse e do livreto sobre Wilde e pedi emprestado.


O filme, baseado na biografia escrita por Richard Ellman, foi dirigido por Brian Gilbert, que, juntamente com os produtores, batalharam bastante para fazer um filme bom com um orçamento relativamente baixo, considerando se tratar de um filme de época.

Para falar a verdade, nunca tinha prestado muita atenção às obras de Oscar Wilde, embora mais de uma pessoa tenha me dito que preciso ler O retrato de Dorian Gray, porque é uma obra-prima (agradeço pela indicação, mas ainda não li!). O filme aguçou minha curiosidade em ler tanto essa obra de Wilde quanto as demais, além da biografia escrita por Ellmann.

No livreto há trechos das obras de Wilde (lembro de ter lido alguns deles em redes sociais e blogues):



Wilde nasceu em Dublin, Irlanda, em 16 de outubro de 1854, e estudou no Magdalen College, em Oxford. Depois de viajar pelos Estados Unidos para dar conferências (a abertura do filme, aliás, se assemelha a um filme de faroeste, mas depois vemos Wilde dando uma conferência a mineiros em uma mina no oeste americano) e de ter viajado a Paris, onde conheceu artistas e escritores, se casou com Constance Lloyd em 1884, com quem teve dois filhos.

Já casado, conheceu Robert (Robbie) Ross, um jovem aristocrata canadense, que parece ter ajudado Wilde a se descobrir gay. Posteriormente, quando Wilde se envolve com outros rapazes, Ross se torna um grande amigo e confidente dele.


Esse filme dá um enfoque maior à vida amorosa e sexual de Wilde, diferentemente dos filmes anteriores (isso foi falado no making of; se não me engano, foi o diretor que comentou que a homossexualidade de Wilde não foi retratada nos outros filmes por causa da censura). Mas não sei até que ponto a biografia de Ellmann e o filme se baseiam em fatos verídicos e comprovados. Não sei se o caso dele com Alfred Douglas, dezesseis anos mais jovem que Wilde, foi tão escancarado como é retratado no filme.

Quem interpreta Wilde é ator e comediante inglês Stephen Fry; ele foi escolhido por sua semelhança física com o escritor. Duas curiosidades: Fry também é gay; Wilde tinha 1,91 metro de altura e Fry tem 1,94 metro. Jude Law interpreta o lorde Alfred Douglas. 


Oscar Wilde e lorde Alfred Douglas, 1893



Ao longo do filme, a história de O gigante egoísta, que Wilde escreveu para seus filhos, é narrada por ele, pela esposa e depois por uma voz em off. Além disso, os bastidores de outras obras de Wilde também são mostradas (mesmo que as motivações para a escrita das peças e livros não sejam 100% verídicas, elas dão uma ideia do contexto em que foram produzidas - Wilde gostava de desafiar os costumes da era vitoriana (1837-1901) e também de debochar deles.

Em 1895, foi preso por "crimes de natureza sexual" / sodomia e condenado a trabalhos forçados por dois anos. É libertado em 1897 e morre  cinco anos depois, em decorrência de meningite (e provavelmente por conta da saúde debilitada após sua soltura). Ele tinha 46 anos.

Por conta da condenação, a esposa Constance, os filhos e pessoas mais próximas de Wilde são obrigadas a se mudar de país. Sua esposa e filhos mudam de sobrenome para não serem identificados e rechaçados pela sociedade.

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