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domingo, 25 de setembro de 2016

À beira do mundo, de Claus Drexel


Hoje teve CinéClub na Reserva Cultural e chamei o Fábio e a Marina para ir. A Marina levou também um casal de amigos, originalmente de Niterói, que nunca tinha ido ao evento e foi bem legal. Essa amiga dela, a Manu, é roteirista e seria interessante manter contato com ela para trocar umas ideias - fazer um curso de roteiro para cinema está nos meus planos para os próximos anos. Provavelmente não para atuar como roteirista, mas para entender como é o processo de construção de um roteiro - como essa área envolve literatura, escrita e cinema (entre outras várias áreas, dependendo dos temas a ser abordados no filme), é algo que me atrai.

Bom, À beira do mundo (Au bord du monde, 2013) inaugurou o ciclo "Divers-Cidade", que vai exibir filmes que tratam da relação entre as pessoas e as cidades. É um documentário dirigido por Claus Drexel feito a partir de entrevistas com moradores de rua de Paris.

No documentário, as cerca de seis ou sete pessoas entrevistadas falam um pouco sobre elas mesmas, sobre como se sentem, como é viver na rua e trazem à tona várias memórias. Todas as cenas foram filmadas à noite ao longo de mais ou menos um ano. Fiquei impressionada com as cenas com neve. Fiquei imaginando o desespero (?) de quem precisa passar a noite na rua nessas condições.

No site do filme, o diretor conta em uma entrevista que não teve muitas dificuldades para conversar com os moradores de rua e que a maioria deles queria contar as coisas de forma voluntária, uma vez que raramente alguém perguntava como eles se sentiam ou o que pensavam sobre o que quer que seja.

Achei bastante interessante a forma com que vários moradores de rua enxergam a vida. Em alguns deles já há muito desapego, eles não se encaixam na sociedade atual e, provavelmente, mesmo se pudessem, não conseguiriam se encaixar em empregos comuns, com horários fixos, para receber o salário no fim do mês. É como se eles vivessem num outro mundo, com valores diferentes e uma ambição muito menor. 

A moça da Aliança Francesa que apresenta o CinéClub comentou que o diretor chegou à conclusão de que os moradores de rua são os verdadeiros filósofos contemporâneos. O que fez muito sentido para mim ao ouvir várias declarações, especialmente uma em que um senhor declara algo do tipo que, apesar de o mundo não ter passado por uma guerra nuclear e acabado no ano 2000, a forma como as pessoas vivem vão acabar destruindo o mundo de qualquer forma.

Trailer do filme (com áudio em francês; não encontrei com legenda):


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