Pages

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

A mágica da arrumação, de Marie Kondo


Na semana passada li esse livro sobre arrumação da japonesa Marie Kondo, que fez o maior sucesso no ano passado, e lembrei do Caio, ex-colega do MBA, que trabalha na Sextante. Lembro de ele ter comentado em alguma aula que o pessoal de arte achou que esse círculo rosa tinha a ver com a bandeira do Japão, por isso a capa ficou assim. No site da autora, na aba "Books", dá para ver as capas publicadas em outros países (vi que em Portugal o livro foi publicado como Arrume a sua casa, arrume a sua vida :).

Antes de comentar sobre o livro, preciso compartilhar uma impressão pessoal: talvez a Marie Kondo tenha TOC (Transtorno Obsessivo Compulsivo) e não saiba. Pensei nisso ao ler que ela já tinha obsessão por arrumação aos cinco anos de idade e que, enquanto os coleguinhas brincavam na hora do recreio, ela ficava organizando livros (e/ou talvez outros objetos, não lembro) na sala de aula. Achei um pouco triste. Crianças de cinco anos não deveriam ficar pensando em arrumação em vez de brincar com os coleguinhas na hora do recreio, embora, aparentemente, isso tenha trazido satisfação e sucesso para a autora na vida adulta.

Marie Kondo

Hoje Marie deve estar com 31 ou 32 anos, apesar de aparentar 18, dá consultoria sobre organização para pessoas e empresas e ficou mundialmente conhecida pelo método que elaborou.

Depois de anos aprimorando técnicas de organização, ela conseguiu chegar a algumas conclusões e elaborar o método "KonMari" (nome formado pela junção de partes de seu sobrenome e nome), que consiste em primeiro descartar "tudo que não traz mais alegria" e depois organizar o que queremos guardar, sendo que a parte da organização é dividida em várias etapas.

Quando se organiza o ambiente por completo, todo o cenário ao redor se transforma. A mudança é tão profunda que a pessoa sente como se estivesse vivendo em outro mundo. Isso afeta a mente e gera uma verdadeira aversão à ideia do retorno ao estado anterior. O segredo é fazer uma mudança drástica e repentina a ponto de levar a uma mudança interna igualmente drástica. Não se consegue o mesmo impacto se o processo for gradual.

Entre as dicas estão: juntar itens de uma mesma categoria (roupas, por exemplo) antes de começar o descarte - isso dá uma noção de tudo que temos dessa categoria -, deixando por último presentes ganhos e objetos com valor afetivo; dobrar roupas e meias como ela ensina para termos mais espaço nas gavetas; jogar fora embalagens e manual de instruções de aparelhos eletrônicos, como celulares, logo depois de comprá-los, uma vez que é possível encontrar informações sobre eles na internet.

À medida que você organizar a casa e reduzir seus pertences, vai descobrir quais são seus valores mais profundos e o que realmente importa na vida.

Entre uma dica e outra, Marie conta um pouco sobre a vida dela para ilustrar seus pontos de vista e conclusões. A certa altura, ela conta que, quando era adolescente, na casa onde morava com a família (pai, mãe e dois irmãos), havia um "quarto da bagunça" e ela costumava jogar pertences dos outros fora (!!) se percebia que ninguém os usava por um determinado tempo - e nem se davam conta de que ela os havia jogado fora; depois se deu conta de que não podia fazer isso, porque cada um deve descartar seus próprios pertences, talvez como forma de organizar a si mesmo. Aí, como ela estava proibida de jogar as coisas dos outros fora, passou a aprimorar ainda mais seu método de organização, jogando apenas suas próprias coisas e contou que, a partir disso, o pessoal da casa dela passou a fazer o mesmo - sem que ela precisasse intervir ou implorar para que eles fizessem isso, a fim de deixar a casa mais organizada.

A leitura foi bastante útil e vou colocar as dicas da Marie em prática assim que possível. Sei de antemão que o mais difícil será selecionar os livros que quero manter. Não dá para saber quando e se vou precisar de certos livros por conta dos trabalhos de tradução, revisão e edição de textos/ livros. Mas a Marie diz que, ao pegarmos cada objeto, sabemos se aquilo nos traz alegria e se vale a pena mantê-lo ou não. Então tá, vamos ver se isso funciona comigo.

Procure se lembrar da época da escola e das coisas que gostava de fazer. Talvez você gostasse de desenhar, de cuidar dos animais, de escrever. Seja o que for, são grandes as chances de que tenha alguma coisa a ver com o que você faz atualmente. Em essência, as coisas de que gostamos não mudam com o passar do tempo. Colocar a casa em ordem é uma excelente forma de descobrir quais são nossas paixões.

2 comentários:

Karen disse...

Ha, gostei da ideia geral de arrumação dela, mudei a forma de organizar algumas coisas aqui em casa depois de ler o livro, mas ainda não consegui colocar o "desapego" em prática. Tenho muita pena de me desfazer de algo, levo tempo. Ela é mais radical nesse quesito... rs

Li seu post sobre a Bienal e me identifiquei, achava bacana quando era adolescente, agora não vejo graça nenhuma. Acho que é algo legal para o pessoal jovem. Para nós, é mais simples procurar resenhas na internet e comprar o livro.

aline naomi disse...

Tenho apego por coisas específicas, mais livros, DVDs e presentes de amigos (ainda que os presentes não tenham nenhuma função "prática"). O resto parece não ter importância porque pode ser substituído facilmente por coisas similares que cumprem as mesmas funções... se bem que usei uma camiseta por uns dez anos, até furar e parecer um papel de seda (algumas coisas me fazem ter esse tipo de apego... mas a Marie também tem e usa uma camiseta supervelha, então não me sinto anormal :).

O mais interessante do livro da Marie é o efeito psicológico sobre as pessoas. Li várias resenhas antes de ler o livro - aliás, de tanto ler coisas boas, resolvi ler também - e é interessante como a leitura do livro dá vontade de começar a arrumar tudo e como isso traz melhoras na qualidade de vida das pessoas.

Legal saber que compartilha da minha visão sobre a Bienal. Às vezes me acho tão chata! :)