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quarta-feira, 28 de setembro de 2016

É tempo de amora!



Chegou a época das amoras. Em várias calçadas de São Paulo é possível se deparar com manchas roxas e amoras no chão. Ao olhar para cima, as amoras quase sempre estão em galhos altos, inacessíveis. Se eu pudesse, certamente colheria essas frutinhas roxas, quase pretas, para fazer suco e talvez geleia.

Quando eu era criança, meu pai e meu tio tinham um sítio para onde íamos em alguns fins de semana. Lá havia um tipo de pomar, com pokan, maracujá, mamão, e talvez outras frutas de que não me lembro, e amoreiras na beira de um tanque, espécie de minilago, com peixes. Lembro que nesse sítio também tinha couve, cana de açúcar (cujas folhas podiam ser dadas aos cavalos), chuchu... Às vezes meus pais colhiam essas frutas ou vegetais e, como era muita coisa, passavam na casa de tios de São José para distribuir uma parte.

Com as amoras, minha mãe fazia suco. Depois que meu pai e meu tio se desfizeram desse sítio, nunca mais tomei suco de amora. E também nunca mais chupei cana de açúcar recém-cortada. Pelo que me lembro, o sítio foi vendido um pouco depois de um caseiro morrer afogado no tanque de peixes - talvez fosse um dia quente e ele tivesse entrado lá depois de almoçar para se refrescar e algo aconteceu. Esse caseiro está enterrado em um cemitério em São José e em algum dia específico do ano meus pais costumavam visitar o túmulo dele. Não sei se ainda fazem isso.

Algum tempo depois da venda, meus pais foram visitar o sítio, por curiosidade. E eu fui junto, e acho que meu irmão também. Lembro que um tipo de barragem do tanque havia se rompido - ou seja, não havia mais tanque -, e também não existiam mais pés de pokan. O sítio me pareceu mais feio. A maior parte das coisas sempre muda ao longo do tempo, às vezes, para pior. Eis um fato inevitável da vida.

Mas hoje, se pudesse, só queria um copo de suco de amora feito com a própria fruta. O gosto disso, pelo menos, deve continuar igual a quando eu era criança.

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