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segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Sobre a Bienal do Livro 2016



Mês passado escrevi esse post meio ranzinza e apático sobre a Bienal do Livro e, de lá pra cá, fiquei refletindo sobre esse evento.

Acabei indo para a Bienal no dia 01/09 à tarde e encontrei a Ana Igual, que estava com alguns colegas de trabalho, lá pelas 18h.

Ficamos andando pelos corredores, este ano mais largos, colocando a conversa em dia e entrando em alguns estandes que interessavam mais.

Acabei comprando quatro livros, dois da editora Estação Liberdade, com 35% de desconto, Declínio de um homem, de Osamu Dazai, e Histórias da outra margem, de Kafu Nagai, e dois no estande da Martins Fontes, com 50% de desconto: As férias do Pequeno Nicolau, de René Goscinny, por curiosidade em ler a tradução (por enquanto, só li Le Petit Nicolas na faculdade) e uma edição de Onde está Wally? para a Yuri.

No estande da Companhia das Letras, só livros provavelmente encalhados estavam em promoção, os que me interessavam estavam com o mesmo preço das livrarias físicas. Como eu não estava esperando promoções boas, nem me frustrei.

Um acontecimento um tanto assustador foi ver uma youtuber/atriz chamada Kéfera no palco de eventos. Eu e a Ana estávamos andando pela Bienal quando começamos a ouvir uns gritos. Comentei que a Maisa Silva estaria na Bienal naquele dia, os gritos poderiam ser por causa dela. Nos aproximamos do local de onde vinham os gritos e também dos colegas da Ana, que estavam de frente para o palco, mas mantendo uma boa distância. Ninguém sabia direito o que estava acontecendo, só víamos as crianças gritando alucinadas perto do palco. MUITAS crianças e também pré-adolescentes. Um tempo depois, a Kéfera apareceu e os gritos aumentaram. Deu medo. Imagina se isso no palco for uma imagem digital, um holograma, e a Kéfera aparecer desse lado e as crianças começarem a correr na nossa direção?, pensei. Não sei por que às vezes minha mente fabrica ideias para me deixar mais em pânico. Depois que vimos que não era nada que nos interessasse, fomos continuar o passeio pelos estandes.

Concluí, enquanto leitora, que a Bienal do Livro não é mais a minha praia. Talvez já tenha sido, quando as livrarias on-line não tinham uma infraestrutura muito boa/ não eram confiáveis e ali era fácil encontrar vários livros que eu procurava, e com desconto, mas hoje em dia prefiro comprar pela internet e receber os pacotes em casa. Simples e prático. Como profissional, não sei opinar - ao mesmo tempo que a Bienal funciona como uma vitrine para os leitores, para a maioria das editoras não deve compensar financeiramente (alugar estande, deslocar ou contratar pessoal para trabalhar até as 22h... quantos livros cada editora precisaria vender para ao menos custear a presença no evento? Acho bem complicado).

As palestras e os debates, em geral, também não me atraem. Não tenho interesse pela maioria dos temas e pelos autores. Ou seja, mesmo se tivesse tempo sobrando, provavelmente não teria vontade de assistir nada.

Depois de ler esse post animado no blogue da Maria, em que ela conta como foi bacana encontrar vários blogueiros e outros amantes do livro na Bienal, e a coluna do Pedro Almeida na PublishNews, em que ele comenta Para que serve a Bienal?, concluí que, apesar da minha apatia e de a Bienal não fazer mais sentido para mim, ela continua fazendo sentido para muita gente, portanto, tem razão de existir - e espero que continue existindo.

2 comentários:

Minhas Impressões disse...

Oi Aline.
Que legal e que surpresa ver uma menção a uma postagem minha! Que honra e obrigada.
Li algumas coisas sobre a Bienal e esse ano o público foi bem menor do que nos anos anteriores. Talvez o que mais tenha atraído púbico tenham sido os youtubers, já que são a sensação do momento. Nos dias que estive lá, também ouvi gritos, mas nem me interessei em saber para quem eram, continue fazendo o que estava fazendo.
É realmente muito caro uma Bienal, em todos os sentidos. Esse ano, eu foquei mais nas palestras e em encontrar pessoas do mundo dos livros, blogueiros e autores. Eu também espero que a Bienal continue existindo, apesar de tudo que precisa melhorar (preços). Tenho um amigo que definiu o evento como uma grande livraria e acho que é um pouco disso mesmo.
Abraços.

aline naomi disse...

Oi, Maria!
Que legal ler comentário seu aqui no blogue! :) Obrigada!
Foi ótimo ler seus posts sobre a Bienal para eu ter outra perspectiva sobre ela. A verdade é que sinto que a Bienal está com uma roupagem bastante jovem e eu, que já não sou muito jovem =D, não me encaixo mais. E acho que os organizadores estão certíssimos em dar essa cara para o evento, para cativar o público-alvo (jovens) e, ao mesmo tempo, dar o que ele espera.
Fiquei muito feliz em saber que você encontrou autores e outros blogueiros interessados em literatura... nem me passou pela cabeça que a Bienal poderia funcionar e funciona como um ponto de encontro e fortalecimento de contatos e amizade.
Abraço!