Pages

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Urgente, da cia. teatral Luna Lunera


No começo de setembro fui ver a peça Urgente, da Cia. Luna Lunera, de Belo Horizonte, com a Luciana no CCBB.

Folder

Nem lembro como eu e a Lu nos conhecemos, mas costumávamos trocar cartas quando eu ainda morava em São José dos Campos, e a conversa sempre fluía porque gostamos mais ou menos das mesmas coisas. Também me identifico com ela, porque ela faz várias coisas diferentes (teve um tempo em que ela estava estudando LIBRAS e, atualmente, participa de um coral, estuda francês e teoria musical e está fazendo uma segunda faculdade a distância, além de trabalhar, claro). 

Quando vi essa peça em cartaz, logo lembrei da Lu, porque quando vim morar em São Paulo (e só então nos conhecemos pessoalmente), ela me chamou para ver outra peça no CCBB e depois disso comecei a prestar atenção na programação desse lugar. Ela disse que uma amiga dela havia recomendado essa peça e que ela queria mesmo ver, então fomos. Foi bom porque fazia muito tempo, pelas minhas contas, dois anos, que não nos víamos.

Gostei dessas fotos dos atores no folder (eles crianças, eles adultos):






Urgente é sobre o cotidiano de cinco pessoas que vivem em pequenos apartamentos de um prédio cheio de rachaduras. O prédio corre o risco de desabar a qualquer momento e quando o perigo é iminente, uma sirene toca para que o prédio seja evacuado o mais rápido possível. Aparentemente essas pessoas continuam morando lá porque não têm para onde ir, não podem alugar um lugar mais seguro.

Essa peça retrata bem o cotidiano de milhares de pessoas que vivem e trabalham em capitais e grandes cidades. Uma das personagens, que costura roupas para bebês, trabalha tanto que só consegue dormir umas três ou quatro horas por dia. Outro morador é corretor de imóveis e síndico do prédio e parece viver apenas para resolver os problemas dos outros (tanto de clientes quanto de familiares). Tem também um senhor gay que sonha em desfilar com uma roupa bonita no Carnaval, um novo e misterioso morador, que mais tarde revela a que veio, e um faxineiro/ faz-tudo que observa e participa apenas discretamente do cotidiano dos moradores.

Essa peça me lembrou um pouco o trabalho da Cia. Hiato, principalmente quando cada personagem fica sob um holofote enquanto o restante do palco está escuro e cada um fala sobre fatos marcantes de sua vida (eles têm apenas alguns segundos para fazer isso e são interrompidos antes de conseguirem concluir o que estavam falando). Não sei até que ponto cada ator estava falando sobre o personagem/ através do personagem ou sobre si mesmo. A Cia. Hiato gosta de misturar realidade e ficção nas peças e talvez, por isso acho tão fascinante: onde a vida termina e a arte começa? Onde a arte termina e a vida começa? Tudo parece se misturar.

Em meio às correrias do dia a dia, o que importa - o que é realmente URGENTE? [Viver, talvez?] Como continuar sonhando (se é que isso é possível) em meio a um cotidiano tão árduo, cansativo, mecânico? Sei lá. Só sei que é preciso estabelecer prioridades, continuar vivendo, sonhando e correndo atrás dos sonhos porque a vida não dura para sempre e pode desabar a qualquer instante.

***

O quê? Peça teatral Urgente
Onde? CCBB SP - Rua Álvares Penteado, 112 (Centro) / Telefone: (11) 3113-3651 [próximo à estação Sé do metrô]
Quando? De 13/08 a 17/10/2016 - Sábado e segunda, às 20h; Domingo, às 19h (Duração: 105 minutos)
Quanto? R$ 20 (inteira) e R$ 10 (meia-entrada)
Site Luna Lunera: http://cialunalunera.com.br/

2 comentários:

Zé Walter Albinati disse...

Oi, Aline! Que delicadeza essa sua resenha, se reportando ao nosso espetáculo URGENTE. E as imagens que você postou também. A temporada em Sampa foi muito especial! Estamos no CCBB Brasília agora, até 11/12. Que o teatro continue sendo um bom portal pra sua sensibilidade! (Estou no face também, caso queira me add.)

aline naomi disse...

Que honra ter um comentário seu por aqui, Zé Walter!
Obrigada e parabéns por "Urgente"!
Vou recomendar a peça para um amigo de Brasília.
Grande abraço!