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terça-feira, 6 de dezembro de 2016

Um violinista no metrô

Segunda-feira é quando a fita da semana é rebobinada e a rotina de trabalho recomeça. Por isso muita gente sente um certo desânimo e, dependendo do caso, talvez até desespero.

Para mim, o dia foi mais ou menos comum, exceto pelo detalhe que conto no último parágrafo. 

Tirei essas fotos enquanto passava pela avenida Paulista na volta do trabalho (sempre muitos carros e muitas pessoas na hora do rush):




Para tirar essas fotos, usei o celular Samsung S4 que o editor não usava mais e me deu. Não contei, mas semana passada roubaram meu celular Motorola X Play, que ganhei num concurso cultural da Fundação Dorina Nowill, no ônibus, enquanto eu ia para o trabalho. Fico pasma com a ousadia da pessoa: mexer na mochila que estava no meu colo enquanto eu dormia. Acho que foi uma loira gorda que estava sentada do meu lado quando acordei, mas não posso afirmar nada. Fiquei chateada porque era um presente, mas como não sou apegada a aparelhos eletrônicos, me conformei rápido. Dei pela falta do celular quando cheguei na editora, e o mais desesperador foi constatar que eu não conseguia entrar na minha conta de e-mail do Gmail. Enquanto pensava em como recuperar minha conta, liguei para a Claro e para a Vivo para bloquear os chips e o celular. Depois consegui resolver o problema da conta do Google, troquei a senha do e-mail e de todas as redes sociais e encontrei uma opção na conta do Google que dava para apagar todas as informações do celular em modo remoto e bloqueá-lo (teoricamente a pessoa não conseguiria sair da tela inicial, que configurei para aparecer a mensagem: "Para devolver este celular, ligue para XXXX"). Não sei se funciona, mas pelo menos psicologicamente funcionou, porque não fiquei paranoica com o fato de alguém querer usar minhas informações pessoais para fazer coisas ilegais ou contra mim (embora eu não faça nudes nem participe de grupos de putaria). Não vejo a hora de não precisar mais pegar esse ônibus.

Mas, voltando ao assunto, a segunda-feira estava sendo como qualquer outro dia, até eu pegar o metrô na estação Paraíso. Na estação seguinte, entrou um cara e falou algo do tipo: "Boa noite a todos. Desculpe atrapalhar a viagem de vocês, mas só queria mostrar o meu trabalho. Prometo que vai ser rápido, porque não quero atrapalhar muito". Achei que ele fosse cantar uma música sertaneja (não sei por que pensei isso) e devo ter feito uma fisionomia apática. Mas, para a minha surpresa, e talvez de todos os outros passageiros, o cara começou a tocar vi-o-li-no! Tocou uma música conhecida que agora não lembro e o som era muito bonito. Depois de alguns minutos, um rapaz que estava com ele começou a andar pelo vagão com a maleta do violino aberta arrecadando uns trocados enquanto o violinista continuava tocando. Dei R$ 2. Outras pessoas também contribuíram com notas e moedas. No fim, quando a estação seguinte se aproximava e o violinista e seu ajudante se preparavam para descer, todo mundo bateu palmas. Foi o momento mágico do dia.


2 comentários:

Karen disse...

Que droga isso de ter algo roubado dessa forma... Mas bem, você já fez o que podia. Meu celular é bem mixuruca, só uso para receber e fazer ligações (a contragosto).

Tive uma experiência parecida em Santiago, era um trajeto longuíssimo até uma estação final e um grupo de jovens entrou com vários instrumentos e tocou jazz (e muito bem!), foi realmente mágico. Tivemos sorte, eles entraram bem no vagão em que estávamos. Achei tão bacana!

aline naomi disse...

Nem me fale, Karen! Um transtorno isso do celular, por tudo que escrevi no post e porque depois, na loja da Vivo, perdi mais ou menos 1h30 só para comprar outro chip e desbloquear a linha - parece sempre haver uma fila e o atendimento é absurdamente demorado; em compensação, na Claro foi bem rápido. Mas ok, poderia ter sido pior, poderiam ter roubado a minha carteira com documentos e cartões. Não sou tão ligada em celular, mas em 2012 precisei comprar um smartphone porque vira e mexe recebia propostas de trabalho por e-mail enquanto estava fora de casa e, quando ia responder, horas depois, o trabalho já tinha sido passado para outra pessoa. Achei melhor comprar um "smartphone melhor custo benefício" (joguei isso no Google para decidir que modelo comprar porque não tenho paciência de ficar lendo as especificações e comparando). Celular é prático, mas também sinto como se fosse uma coleira eletrônica às vezes.

Que legal sua experiência em Santiago!! Eu nunca tinha visto alguém entrar e tocar um instrumento no metrô de São Paulo, mas apoio a ideia. Quando eu estava num trem em algum lugar na Itália, lembro que um grupo de ciganos (pela aparência, pareciam ciganos) entrou tocando uns instrumentos e acho que cantaram também, mas não achei muito bom. O violonista de ontem era bem mais agradável.