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quinta-feira, 29 de março de 2018

Hostage, de Guy Delisle (1/365)



Li em algum lugar que a HQ Hostage [Refém], do Guy Delisle, será publicada esse ano pela editora Zarabatana, que já publicou várias outras HQs dele. Não consegui esperar, comprei e li a edição americana, traduzida da edição original em francês (o Guy Delisle é franco-canadense), que está bem bonita, em capa dura.

Nessa graphic novel, Delisle conta a história de Christophe André, um jovem administrador da Médicos Sem Fronteiras, que foi sequestrado quando estava em missão no Cáucaso, mais especificamente na região da Chechênia, em 1997. 



Delisle não explica nada sobre o conflito que estava acontecendo na época do sequestro e se concentra na experiência do sequestro em si. Conforme as páginas vão se passando (são 432 no total), nos sentimos algemados, entediados e deprimidos igual ao protagonista. Pela primeira página, já sabemos que ele sobreviveu, o que é um alívio, mas não sabemos até quando a situação no cativeiro vai continuar, se vai piorar, o que os sequestradores vão fazer. É muito tenso.



As pequenas coisas, uma comida diferente da sopa aguada de sempre (como a omelete, acima), são motivos de alegria para Christophe.

Me impressionou a lucidez dele em não perder a contagem dos dias desde o começo. Ele sempre sabia a data e o dia da semana. Eu provavelmente me perderia no tempo e no espaço depois de uma semana.

Foi uma jornada duríssima, mas Christophe enfrentou tudo e, pelo epílogo, ficamos sabendo que continuou trabalhando na Médico Sem Fronteiras por mais dezoito anos.

Gosto muito da forma como Delisle narra as histórias. Nas outras HQs publicadas pela Zarabatana ele conta sobre experiências na Birmânia (Mianmar), Jerusalém, Coreia do Norte e China de forma peculiar e, sempre que possível, bem humorada. A HQ em que ele conta como é um pai displicente (O guia do pai sem noção) é mais leve e as tirinhas sempre nos tiram um sorriso.




Vale a pena, recomendo todas essas HQs! (O guia do pai sem noção está duplicado porque comprei a edição em inglês antes de a Zarabatana publicar no Brasil...)



Obs.: Vou tentar ler um livro por dia e escrever sobre ele aqui. Este é o primeiro livro do meu autodesafio de ter um "ano da leitura mágica".



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