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domingo, 8 de abril de 2018

Carta de Porto Alegre nº 3



Porto Alegre, 8 de abril de 2018.


Queridos amigos,

sigo bem por aqui.

Continuo minha rotina de caminhadas matinais e me alimentando do jeito mais saudável possível. Emagreci quase 4 quilos em um mês, mas ainda preciso emagrecer uns 10 quilos para atingir meu "peso ideal". Quando chegar nesse peso, vou tatuar uma carpa nas costas (quero isso desde os 20 anos). Preciso emagrecer porque tenho pré-diabetes e o sobrepeso/ a obesidade contribui para que o nível de açúcar no sangue permaneça acima do normal e, se isso não for controlado, pode evoluir para diabetes. Mês que vem vou para São Paulo fazer exames e voltar ao endócrino terrorista para ele avaliar a situação. 

Essa semana a Carol, uma amiga que fiz através da Flávia, uma amiga de São Paulo, quando estávamos na Itália em 2015, me levou para conhecer o cine Guion e fiquei encantada. A programação é parecida com a do Cine Belas Artes e da Reserva Cultural e fica a uns 15 minutos a pé de onde moro. Esse cinema fica dentro de uma galeria onde há vários cafés e lanchonetes. Vimos Deixe a luz do sol entrar, com a Juliette Binoche, e  gostei mais do filme por causa da atriz e porque era falado em francês do que do enredo. Não consegui me identificar com a protagonista - uma pintora fantástica que embarcava em vários relacionamentos furados com homens aleatórios. Não consigo entender por que as pessoas fazem isso, se machucam e continuam fazendo. Mas minha opinião não conta porque tendo a racionalizar demais relações que deveriam ser sentidas. Carol gostou e queria ver de novo (haha).

Também fui encontrar a Adriana, que conheci num chat do Terra em 2005 (?), em um café bem legal chamado "Café Cantante". Fazia uns oito anos que não nos víamos pessoalmente e gostei de revê-la. 

[Que tipo de pessoa será que entra em chats hoje em dia? No começo dos anos 2000, conheci pessoas fantásticas de todo canto que jamais teria encontrado de outra forma...]

Essa semana também tive alguns insights e conversei com amigos remotamente. Recebi bastante apoio moral :) e também dei pitacos na vida alheia (é incrível como a gente consegue ter uma visão muito mais ampla da vida dos outros do que da nossa, e vice-versa). Concluí que eu estava "muito louca" em São Paulo e não conseguia parar para refletir. Onde eu estava, como tinha chegado ali, o que queria, queria mesmo?, como prosseguir morrendo o menos possível a cada dia?

Decidi tentar um emprego fixo aqui ano que vem e prolongar minha estadia por mais um ou dois anos. Não me animo a voltar para São Paulo. Só estando aqui para me dar conta da loucura paulistana - aquilo não é normal. Talvez aqui também não seja normal, mas a loucura parece menos agressiva.

Sobre a oficina de escrita, recebi meu primeiro texto revisado pelo prof. Assis, ele cortou vários trechos e palavras e o texto ficou bem melhor. Ele também fez um apanhado geral dos deslizes nos textos da turma, mas o maior problema é o excesso de texto mesmo.

Na aula dessa semana também lemos dois textos/ exercícios de colegas. Não consegui prestar atenção no primeiro (não senti empatia pelo personagem, a história me pareceu confusa e minha mente foi para Marte enquanto olhava para a tela); o segundo foi perfeito - o texto estava conciso, "preciso" e refinado. Deu vontade de ler mais. Várias pessoas parabenizaram esse colega depois, eu também. Tenho a impressão de que até consigo começar bem, mas depois não sei o que fazer com a personagem, como continuar a história, tudo meio que se perde e o fim fica sofrível. Estou me aproximando de alguns colegas, mas ainda não sei o nome da maioria. O autor do texto que adorei é muito bacana.

Domingo passado terminei um curso de audiodescrição on-line e meu trabalho final foi baseado na animação In a Heartbeat. A audiodescrição é um tipo de tradução para pessoas com deficiência visual (o audiodescritor converte as imagens - fotos, vídeos, projeções - em um roteiro e depois essa descrição é gravada em áudio). Gostei muito do feedback da prof. Ana Júlia (ela aponta os erros ou o que pode ser melhorado, mas de um jeito carinhoso, para não desanimar os alunos!, o prof. Assis também faz isso). Eu já a conhecia de nome quando fazia odonto, porque ela é formada em odonto e trabalhava/ trabalha com tradução médica, algo que eu também queria muito fazer na época. Escrevi agradecendo o feedback e ela me incentivou a fazer um teste para um possível trabalho. Vamos ver.  

Ainda não consegui me organizar para voltar a estudar japonês (comecei um curso on-line no fim do ano passado). Estou com várias lições atrasadas. Preciso estabelecer uma rotina de estudos. Aliás, apesar de quase não ter orientais aqui, descobri a "Associação da Cultura Japonesa em Porto Alegre". Dependendo de como for, se eu ficar aqui em 2019, vou me matricular no curso de japonês lá.

Só vi orientais duas vezes e deviam ser descendentes de chineses. Às vezes percebo as pessoas olhando para mim com o canto dos olhos (no supermercado e às vezes na rua), aí finjo que não é comigo e desvio o olhar, porque é um pouco constrangedor. 

Fora isso, quanto à vida doméstica, passei aspirador no quarto/sala ontem, lavei o banheiro hoje e vou limpar a cozinha amanhã. Se eu limpar um cômodo por dia fico menos entediada. Tive insônia anteontem, cortei o dedo quando estava cortando abobrinha ontem, o sangue jorrava (mentira, só sangrou por alguns minutos) e aí lembrei que preciso comprar band-aid, ainda não aconteceu nada de ruim hoje. Separei as roupas para levar à lavanderia amanhã; a micro área de serviço não comporta uma máquina de lavar. 

Atualização sobre a vizinhança: a vizinha que gritava durante as discussões de relacionamento sumiu há duas semanas, espero que tenha se mudado. O casal escandaloso da "foda do meio-dia" continua na ativa - pelo menos não devem perder tempo discutindo política ou brigando por política nas redes sociais, né? Fico feliz por eles.

E por hoje é só.


Bons sonhos, boa semana!


Aline Naomi


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